O governo sérvio aprovou, nesta segunda-feira (22), um acordo para normalizar as relações com Kosovo, região que declarou, unilateralmente, sua independência da Sérvia em fevereiro de 2008. A medida pode encerrar anos de tensões e colocar os rivais dos Bálcãs no caminho para a adesão à União Europeia (UE).

O governo aprovou o acordo por unanimidade durante uma sessão extraordinária e ordenou que seus ministros o implementem, disse o porta-voz do governo, Milivoje Mihajlovic.

Os primeiros-ministros da Sérvia e do Kosovo chegaram a um acordo, com a mediação da UE, na sexta-feira, segundo o qual a liderança de étnica albanesa de Kosovo terá autoridade sobre os rebeldes sérvios do território. Em troca, a minoria sérvia vai ter ampla autonomia em Kosovo.

Após a aprovação sérvia, a Comissão Executiva da UE recomendou nesta segunda-feira que o bloco inicie as negociações de adesão com a Sérvia. A Comissão disse, em relatório, que a "Sérvia tomou medidas muito significativas na direção de uma melhora visível e sustentável em suas relações com Kosovo".

Kosovo, que é considerado por nacionalistas o berço medieval do Estado e da religião sérvios, declarou independência em 2008. A Sérvia prometeu nunca reconhecer a declaração. Autoridades sérvias afirmam que o acordo de normalização das relações não significa que Belgrado tenha reconhecido Kosovo como um país.

O acordo irritou nacionalistas sérvios, que pretendem realizar grandes protestos em Belgrado e em Kosovo nesta segunda-feira.

No domingo, o Parlamento de Kosovo votou a favor de um resolução que apoio ao acordo inicial. O Parlamento sérvio deve fazer a mesma coisa ainda nesta semana.

O acordo permite que sérvios policiem e gerenciem o norte de Kosovo, que é habitado predominantemente por sérvios étnicos, em troca do reconhecimento nominal da autoridade do governo do Kosovo. O documento também pede que cada lado não obstrua o outro numa eventual tentativa de uma adesão à UE.

A Sérvia abandonou o controle da maior parte do Kosovo em 1999, quando a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) expulsou suas tropas da região, após três meses de ataques com bombas.

Não está claro como o acordo será implementado no norte de Kosovo, onde líderes sérvios radicais rejeitam a autoridade de Pristina, comandada por albaneses étnicos, e consideram a região como parte da Sérvia. As informações são da Associated Press.