O grupo jihadista Estado Islâmico (EI) reivindicou nesta terça-feira (23), os atentados que deixaram mais de 300 mortos e 500 feridos - dos quais 375 continuam internados em hospitais - no domingo de Páscoa no Sri Lanka.

"Os autores dos ataques contra os cidadãos do países da coalizão (anti-EI) e os cristãos no Sri Lanka de anteontem são combatentes do EI", afirmou o grupo extremista em uma mensagem divulgada por sua agência de propaganda, Amaq, mas cuja autenticidade não pôde ser verificada.

Na segunda-feira, as autoridades do Sri Lanka atribuíram os atentados ao movimento islamita local National Thowheeth Jama'ath (NTJ), que não reivindicou os ataques, mas disseram que ainda investigavam se o grupo havia recebido apoio logístico internacional.

Os primeiros elementos da investigação também apontam que os ataques foram uma represália ao recente massacre em duas mesquitas da Nova Zelândia, afirmou o ministro cingalês da Defesa, Ruwan Wijewardene.

"As investigações preliminares revelaram que o que aconteceu no Sri Lanka foi uma represália pelo ataque contra os muçulmanos de Christchurch", declarou Wijewardene no Parlamento, em referência ao ataque que deixou 50 mortos no dia 15 de março em duas mesquitas desta cidade do sul da Nova Zelândia.

Wijewardene disse que as investigações revelam que o NTJ tem vínculos com o relativamente desconhecido movimento islamita radical na Índia Jamaat-ul-Mujahideen India (JMI).

As autoridades têm poucas informações sobre o JMI, exceto alguns dados revelados ano passado, e a informação de que ele está ligado a um grupo de nome similar em Bangladesh.

O ministro acrescentou que o país está recebendo apoio internacional na investigação, mas não revelou detalhes. "Houve falhas de segurança e haverá investigações", afirmou Wijewardene, um reconhecimento que foi compartilhado por outros integrantes do governo cingalês, sobretudo desde que veio à tona a informação de que as forças de segurança tinham sido alertadas no início do mês para possíveis ataques a igrejas e destinos turísticos no país.

"Temos que tomar medidas para proibir grupos extremistas como este. Além disso, temos que levar os membros desta organização à Justiça", frisou Wijewardene.

Até o momento, segundo os últimos dados informados pelo porta-voz da polícia do Sri Lanka, Ruwan Gunasekara, 40 pessoas foram detidas por suspeita de envolvimento com os atentados.

Além disso, o porta-voz policial solicitou à população em comunicado que "mantenha-se em alerta máximo", já que há indícios de que ainda pode haver "um caminhão e uma caminhonete lotados com explosivos" em alguma parte do país, sem fornecer mais detalhes. 

Leia mais:
Número de mortes em atentados no Sri Lanka sobe para 310
Número de mortos chega a 290 em atentados no Sri Lanka
Parlamento do Uruguai vai discutir lei antiterrorismo esta semana
Pompeo: cidadãos norte-americanos estão entre os mortos em ataques no Sri Lanka