PEQUIM - Um jornal chinês exigiu nesta quarta-feira (23) na primeira página a libertação de um de seus funcionários, detido por uma reportagem sobre uma empresa, o que na China representa um desafio inédito às autoridades. "Por favor, libertem nosso homem", afirma o jornal Xinkuaibao de Cantão.
 
O jornalista Chen Yongzhou foi detido na sexta-feira passada em Cantão pela polícia da cidade de Changsha, centro do país, por ter "prejudicado a reputação de uma empresa". O jornalista afirmava na reportagem que a empresa de engenharia Zoomlion, cotada na Bolsa de Hong Kong e Shenzhen, tinha "problemas financeiros" e havia publicado balanços fraudulentos.
 
A empresa, avaliada em oito bilhões de dólares pela Bolsa, na qual o Estado tem 20% das ações, é uma importante fonte de recursos fiscais de Changsha, capital da província de Hunan. "Somos um jornal pequeno, mas temos coragem", escreveu em um editorial o Xinkuaibao, que lamenta não ter citado o caso antes por medo de represálias contra o jornalista.
 
O jornal também revela que a polícia está procurando o editor de economia da publicação e que ele está escondido há vários dias.