BERLIM - A justiça administrativa alemã negou nesta quinta-feira (27) a abertura completa dos arquivos do serviço secreto alemão sobre a fuga do criminoso de guerra nazista Adolf Eichmann para a Argentina.

O Tribunal Administrativo Federal (Bundesverwaltungsgericht), com sede em Leipzig (leste), rejeitou o pedido apresentado por um jornalista do tabloide Bild.

Graças a uma primeira decisão favorável, o jornal revelou em janeiro de 2011 que o serviço secreto alemão sabia desde 1952 que Eichmann, um dos grandes responsáveis pelo genocídio judeu, refugiou-se durante a guerra na Argentina.

"Eichmann não está no Egito, mas vive sob o nome falso de Clemens na Argentina", indicava em um relatório o serviço secreto alemão (BND), datado de 1952, reproduzido pelo jornal.

O advogado do Bild, Christoph Partsch, afirmou à AFP que o jornal poder apelar ao Tribunal Constitucional, em Karlsruhe, a mais alta jurisdição alemã, e lamentou "a obstrução do trabalho sobre a história dos primeiros anos da República Federal".

Dieter Graumann, presidente do Conselho Central de Judeus Alemães, disse, por sua vez, que a falta de transparência é "prejudicial para a Alemanha."

Identificado em 1960 pelo agente do Mossad (serviço secreto israelense), Tzvi Aharon, Eichmann, tenente-coronel da SS encarregado do transporte dos judeus para os campos de concentração, foi sequestrado na Argentina e julgado em Jerusalém, em 1961. Após a condenação à morte, ele foi enforcado em 1962.