MAJURO - O náufrago salvadorenho José Salvador Alvarenga deverá descansar por recomendação médica, depois de receber alta nesta sexta-feira (7) de um hospital das Ilhas Marshall.

Ao mesmo tempo, um diplomata mexicano afirmou que os exames parecem confirmar a extraordinária história do náufrago.

Alvarenga, que afirma ter passado mais de um ano à deriva no Oceano Pacífico, teve a viagem de retorno a El Salvador adiada depois que os médicos informaram que estava com a saúde muito frágil.

O náufrago foi internado em um hospital de Majuro na tarde de quinta-feira com dores nas costas e uma inflamação nos pés.

"Recebeu alta. Receitaram vitaminas e remédios. Também recomendaram que beba muitos líquidos e descanse", disse uma fonte médica.

De acordo com a mesma fonte, os exames de sangue mostraram desidratação e consumo excessivo de carne.

Alvarenga deve retornar ao hospital na segunda-feira, o que significa que deve embarcar em um voo para Honolulu (Havaí) no fim da noite do mesmo dia.

Christian Clay Mendoza, encarregado de negócios da embaixada do México em Manila que está organizando a repatriação, disse que os problemas já eram esperados.

A aparente boa saúde do náufrago de 37 anos provocou ceticismo sobre sua história, mas Mendoza disse que o relato da odisseia de 12.500 quilômetros através do Pacífico tem fundamento.

"Até agora o que nos disse era verdade. Deu seu nome, José Salvador Alvarenga, e isto é correto. Nos colocou em contato com sua família em El Salvador (...) e confirmaram sua história".

"Agora estamos tentando entrar em contato no México a pessoa que ele diz que era seu chefe na cooperativa de pesca para conhecer sua versão da história, mas até agora o que tem afirmado coincide", completou.

O relato de Alvarenga sobre sua sobrevivência graças a uma dieta a base de peixes e aves cruas, além de sangue de tartaruga, urina e água de chuva, é realista, segundo especialistas em situações extremas.

"A questão principal agora é saber quanto tempo passou realmente à deriva", disse Mendoza.

Alvarenga afirmou que partiu da costa mexicana em uma pequena lancha em dezembro de 2012 com um jovem mexicano chamado Ezequiel, que morreu depois de quatro meses de travessia.

Os companheiros do pescador em Chocohuital (Chiapas) afirmaram que a embarcação desapareceu no mar em novembro de 2012, não em dezembro.