A maior organização indígena do Equador anunciou neste sábado (18) um "levantamento", em agosto, contra o governo do presidente Rafael Correa, enquanto os sindicatos organizavam uma paralisação. "A Assembleia Anual da Conaie (Confederação de Nacionalidades Indígenas do Equador) decidiu por um levantamento e uma paralisação nacional progressiva", assinalou a organização em sua conta no Twitter.

A organização acrescentou que o movimento terá início em 2 de agosto, com uma marcha que sairá da província amazônica de Zamora Chinchipe (sudeste) e se unirá à paralisação dos sindicatos, convocada para 13 de agosto. Segundo o presidente da Conaie, Jorge Herrera, os indígenas "permanecerão nas ruas pelo tempo que for necessário", assinala um comunicado divulgado pela confederação.

A decisão foi anunciada após a assembleia anual da Conaie, que aconteceu na comunidade de Salasaca, localizada na província andina de Tungurahua (sul).

A Conaie protagonizou rebeliões e participou de protestos que resultaram na derrubada dos presidentes Abdalá Bucaram (1997), Jamil Mahuad (2000) e Lucio Gutiérrez (2005). Sob o mandato de Correa, a organização perdeu força, e um setor do movimento indígena se aproximou do governo.

Correa, no poder desde 2007, advertiu que a lei não permite a suspensão dos serviços básicos à população. "A paralisação é ilegal. Os aposentados poderão se unir, uma vez que já não trabalham, mas ninguém pode deixar de trabalhar, principalmente no setor público. Ninguém pode suspender serviços básicos, saúde, educação, etc.", expressou o presidente neste sábado.

A paralisação anunciada por indígenas e sindicatos faz parte dos protestos que, há mais de um mês, exigem a saída de Correa do poder e rejeitam suas políticas de cunho socialista.

Segundo o Instituto Equatoriano de Estatísticas e Censo (Inec), os indígenas representam 7% dos 16 milhões de equatorianos. Já a Conaie afirma que eles somam 35% da população.