Os serviços de emergência procuravam, nesta quarta-feira, sobreviventes após um novo terremoto no Nepal, ao mesmo tempo que prossegue a busca por um helicóptero militar americano que desapareceu quando transportava ajuda.

Milhares de sobreviventes passaram a noite a céu aberto pelo medo de retornar para casa após o terremoto de 7,3 graus de magnitude que matou 81 pessoas no país na terça-feira, menos de três semanas depois de um tremor que deixou mais de 8 mil mortos. O novo terremoto complicada ainda mais os trabalhos dos socorristas, que tentam levar água e comida às localidades mais afetadas pelo tremor do fim de abril.

O exército nepalês também procura um helicóptero dos Marines dos Estados Unidos que participava nas operações humanitárias e desapareceu perto de Charikot, leste do país, com seis marines e dois militares nepaleses a bordo. De acordo com o Pentágono, vários helicópteros captaram conversas por rádio que citavam um problema de combustível.

O porta-voz do ministério do Interior do Nepal, Laxmi Prasad Dhakal, confirmou o balanço de 65 mortos no terremoto de terça-feira. O epicentro foi localizado 75 km ao leste de Katmandu. O tremor matou 17 pessoas na Índia.

"Estávamos trabalhando na distribuição de ajuda, mas, desde terça-feira, nossos esforços se concentram novamente nas operações de busca", disse o porta-voz.

O tremor de terça-feira foi sentido em Nova Délhi, a mil quilômetros de distância, e no Tibete, onde uma pessoa morreu na tragédia. Dois importantes edifícios que foram afetados pelo terremoto de 25 de abril desabaram na terça-feira na capital do país. Os distritos mais afetados pelo terremoto foram Dolakha e Sindhupalchowk.

"Muitas casas desabaram em Dolakha e o número de mortos no distrito pode aumentar", — disse o ministro do Interior, Bam Dev Gautam.

Segundo a Cruz Vermelha, muitas vítimas foram registradas em Chautara, no distrito de Sindhupalchowk, onde a organização tem um hospital de campanha. Deslizamentos de terra aconteceram nas áreas mais afetadas, o que complicou ainda mais o acesso das equipes de resgate às zonas montanhosas.

De acordo com a ONG Save the Children, a região de Gorkha, próxima do epicentro do terremoto de 25 de abril, foi cenário de deslizamentos de terra e muitas estradas ficaram bloqueadas. Em Katmandu, muitas pessoas que haviam retornado para suas casas depois de semanas dormindo a céu aberto se viram obrigadas a abandonar suas residências e passaram a noite em barracas.

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— Temos que ter paciência e coragem — disse, na terça-feira, o primeiro-ministro Sushil Koirala.

De acordo com os cientistas, o terremoto de terça-feira é parte de uma reação em cadeia provocada pelo tremor de 25 de abril em Lamjung, ao oeste Katmandu.