Brasileiros estão presos no aeroporto JFK, em Nova York, desde a última quinta-feira, na tentativa de embarcar para o país. Com remarcações e cancelamentos de voos, as pessoas dormiram no chão do aeroporto, tiveram problemas médicos e momentos de tensão com representantes das companhias aéreas. 

O engenheiro civil Eduardo Stahlhoefer chegou com a mulher e dois filhos ao aeroporto na sexta-feira por volta das 6h. Como a filha tinha vestibular para Medicina no domingo, tentou um voo via Miami, que foi cancelado. A segunda opção foi tentar embarcar via Cidade do Panamá. Por fim, foi oferecido um voo da Delta para São Paulo. A família aguardou até a meia noite, quando o voo foi cancelado. O voo para a Cidade do Panamá acabou saindo no meio de madrugada. 

"Se arrependimento matasse... É lastimável, estamos sendo tratados como animais. Passamos a noite no chão. Ninguém fala o que está acontecendo. Ontem, mudaram o portão quatro vezes, a gente caminhou o aeroporto todo, até cancelarem o voo", disse Stahlhoefer. 

O engenheiro contou que de madrugada o grupo de brasileiros teve que sair da área de embarque para fazer um novo check-in, para o voo previsto para a tarde de hoje. "Não queriam deixar a gente embarcar de novo. Pediram para a gente dormir no saguão de entrada, onde não tem cadeiras nem aquecimento." 

O médico Daniel Boris Ghetler também enfrentou dificuldades por conta do frio. "O pessoal da Delta queria que a gente saísse do aeroporto com 12 graus negativos, a noite mais fria em muitos anos. E não ofereceram hotel. Aliás, todos os hotéis estão lotados." 

O filho de Daniel também tinha uma prova marcada de residência médica. "Mesmo que ele chegue, estará muito cansado. A gente tentava argumentar com a empresa e três policiais intimidavam a gente, como se nós não fossemos vítimas." 

Outra reclamação dos brasileiros é a falta de informações. "Falam que a neve é todo o problema. Ontem muitos aviões subiram e desceram. Estava o famoso céu de brigadeiro durante todo o dia. Nosso avião estava estacionado e eles, depois de horas mudando de portão, informaram que o problema era que o horário da tripulação havia estourado", disse Daniel Ghetler. 

Durante a noite, um paramédico foi chamado para dar assistência a uma grávida de oito meses e uma senhora com crise de pressão alta. Uma ambulância foi colocada de plantão. 

Passageiros que estavam em um voo da American Airlines cancelado na noite de quinta-feira ainda aguardavam para voltar ao Brasil. Na madrugada de sábado, foram para um hotel. 

A analista de sistemas Vanessa Arnold fez sua primeira viagem internacional. Resolveu chegar com antecedência no aeroporto, por volta das 15h de sexta. A nova previsão para o seu voo é as 15h deste sábado. 

"Na ultima remarcação de portão, à meia-noite, cancelaram o voo. Disseram que não iriam prestar assistência, não dariam hotel. Falaram para pegarmos as malas e sair para fora do terminal, na parte fria do aeroporto. " 

Vanessa ligou para o consulado do Brasil. "À noite distribuíram lanches, mantas e travesseiros. Todos dormimos no chão, inclusive crianças e idosos", relatou. "Às oito horas da manhã eu liguei para o consulado. Eles disseram que se deram cobertor, lanche e travesseiro, estavam nos atendendo. Eu pedi para mandar alguém. Ontem o cônsul veio para ajudar um voo da TAM. Prometeram entrar em contato."