RAMALLAH - A liderança palestina, reunida nesta quinta-feira (18) com o presidente Mahmoud Abbas, rejeitou a retomada das negociações com Israel nos termos propostos pelo secretário de Estado americano John Kerry, um duro golpe para o chanceler que realiza um giro pelo Oriente Médio.

Durante a reunião da liderança palestina, "a maioria dos movimentos rejeitaram as propostas de Kerry para retomar as negociações com Israel", disse à AFP o deputado independente Mustafá Barghuthi.

Outro participante, Wasel Abu Yousef, indicou que a liderança palestina formou uma comissão para formular uma contraproposta a ser apresentada ao chefe da diplomacia americana.

Enquanto isso, o movimento Fatah, do presidente palestino Mahmoud Abbas, pediu nesta quinta-feira que a proposta de John Kerry seja alterada, e afirmou que as negociações devem ser baseadas principalmente nas fronteiras de 1967, indicaram à AFP vários de seus líderes.

"O Fatah quer que o plano de Kerry seja alterado antes de aprová-lo. Atualmente, as ideias que estão sobre a mesa não incentivam a retomada das negociações", disse um membro do Comitê Central do Fatah, que não quis se identificar.

"O Comitê Central (do Fatah) tem várias exigências para retomar as negociações. A mais importante é que as negociações devem ser fundamentadas no princípio de dois Estados, com base nas fronteiras de 1967", disse o secretário-geral do conselho revolucionário do Fatah, Amin Maqbool.

"A proposta mais importante do plano de Kerry é a retomada das negociações sem a suspensão ou o congelamento dos assentamentos", declarou à AFP um membro da OLP, que pediu para não ser identificado.

Para retomar as negociações, Mahmoud Abbas exige o fim imediato da colonização e que se tome como base as fronteiras anteriores à ocupação israelense dos territórios palestinos em 1967, durante a Guerra dos Seis Dias.

Mas o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, apela para negociações sem "pré-condições", e só está disposto a "gestos de boa vontade", como a libertação de prisioneiros ou paralisação parcial da colonização, de acordo com a imprensa.

Neste contexto, o Exército israelense estava se preparando para levantar as restrições à circulação dos palestinos em duas estradas na Cisjordânia, um sinal de boa vontade, informou a rádio militar.

"Como parte de uma abertura de negociações", é possível realizar "o que chamamos de medidas para restaurar a confiança", declarou o ministro israelense de Desenvolvimento Regional, Silvan Shalom.

A proposta de Kerry "prevê a retomada das negociações", em conformidade com um discurso do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, que chamou em 2011 para a criação de um Estado palestino com base nas linhas anteriores à ocupação israelense de 1967, indicou.

Kerry, que inicialmente deveria partir da Jordânia nesta quinta-feira, "permanecerá em Amã" enquanto for necessário, segundo um oficial dos americano.

"Atualmente não há nenhum anúncio de plano de retomada das negociações", disse a porta-voz do Departamento de, Estado Jennifer Psaki.

"Sobre os assentamentos existe uma nova exigência, a de "moderação" na construção de colônias na Cisjordânia, com exceção dos três blocos de assentamento de Ariel, de Gush Etzion e Maale Adumim, assim como de Jerusalém Oriental", explicou o responsável da OLP.

"Os palestinos pretendem continuar a recorrer a organizações internacionais para obter apoio se a colonização continuar, incluindo com a assinatura da Quarta Convenção de Genebra" sobre a proteção de civis, que proíbe explicitamente a colonização dos territórios ocupados", disse.