O papa Francisco encerra nesta sexta-feira, (6) a visita de dois dias a Moçambique. Ele visitou nesta sexta-feira o Hospital de Zimpeto antes de celebrar uma missa no estádio local, com a presença de milhares de fiéis. O papa segue ainda hoje para Madagascar e no dia 9, para as Ilhas Maurício.

Francisco foi o segundo chefe máximo da Igreja Católica a visitar Moçambique, depois de João Paulo II, em 1988.

Ele fez um apelo para o combate à corrupção no país, onde há muitas riquezas, mas grande parte da população vive na pobreza.

"Moçambique tem um território cheio de recursos naturais e culturais", destacou, mas apesar dessas riquezas, "uma quantidade enorme da população vive abaixo do nível de pobreza", disse ele durante a homília na missa campal no Estádio Nacional do Zimpeto.

Segundo o papa, "por vezes, parece que aqueles que se aproximam com suposto desejo de ajudar, têm outros interesses. É triste quando isso se verifica entre irmãos da mesma terra, que se deixam corromper".

"É muto perigoso aceitar que a corrupção seja o preço que temos de pagar pela ajuda externa", sublinhou, fazendo um voto: "que não seja assim entre vós".

A utilização dos recursos naturais de Moçambique a favor de toda a população, por um lado, e o combate à corrupção e às desigualdades, por outro, são temas que têm motivado o debate pela sociedade moçambicana nos últimos anos.

O país assiste, desde 2016, ao desenrolar das investigações no caso de dívidas ocultas,no valor de US$ 2,2 bilhões, com várias figuras ligadas ao Estado, ex-banqueiros e negociantes estrangeiros detidos por suspeita de fraude, lavagem de dinheiro, corrupção e outros crimes.

As dívidas foram suportadas por garantias soberanas entre 2013 e 2014, mas o dinheiro nunca chegou às empresas estatais a que se destinaria, afundando a economia nacional.

Moçambique deverá tornar-se, na próxima década, um dos dez principais fornecedores de gás natural liquefeito do mundo, criando riqueza que deverá impulsionar o crescimento económico do país e reduzir bastante a pobreza - que ainda afeta cerca de metade dos 28 milhões de habitantes.


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