A morte de Freddie Gray, um jovem negro que morreu uma semana após sua prisão em Baltimore, desencadeando uma série de confrontos diários na cidade, foi homicídio e seis policiais foram acusados pelo crime nesta sexta-feira (1º).  Marilyn Mosby, promotora-geral do Estado de Maryland, apresentou nesta sexta-feira (1º) durante coletiva de imprensa os resultados da investigação sobre a morte do jovem de 25 anos no último 19 de abril.
    
Ela anunciou que seis policiais, já suspensos na semana passada, serão processado por homicídio culposo, homicídio em segundo grau, agressão e negligência. Um mandado de prisão foi emitido na manhã desta sexta-feira, segundo ela.
    
O presidente Barack Obama disse, logo após o anúncio, que a morte de Gray deve estar no centro de todas as atenções.
    
"É vital que se chegue à verdade. É preciso fazer justiça", afirmou Obama. "Os habitantes de Baltimore querem, mais do que qualquer coisa, a verdade. É o que também esperam todos no país", acrescentou.
    
De acordo com a investigação e a necropsia, o jovem morreu por um "ferimento fatal já que ele não estava usando cinto de segurança no carro da polícia onde teve que entrar", explicou Mosby.
    
A cidade de Baltimore tem sido palco de protestos diários - que se transformaram em tumulto na segunda-feira, após o funeral de Freddie Gray - desde o anúncio da morte do jovem por uma fratura na vértebra cervical. Um toque de recolher noturno foi instalado por uma semana desde terça-feira para restaurar a calma no local.
    
Atos também foram realizados em várias cidades dos Estados Unidos, em particular na capital federal, Washington, que está a 60 km ao sul de Baltimore, em Nova York e na Filadélfia.
    
Sem assistência médica

A promotora, falando com tom firme, levantou o véu sobre as circunstâncias da morte Freddie Gray, cuja coluna vertebral foi "fraturada em 80%, na região do pescoço", segundo informação divulgada na semana passada por um advogado da família Gray, citado pelo jornal Baltimore Sun.
    
"Quando Freddie Gray foi preso, ele foi algemado com as mãos atrás das costas. Ele tinha dificuldade para respirar e pediu, em vão, remédios", contou Mosby, acrescentando que a polícia, após tê-lo feito sentar-se, "encontrou uma faca em suas calças".
    
Mas, segundo ela, eles foram incapazes de fornecer qualquer justificativa para esta prisão, que ocorreu em 12 de abril. Assim, três policiais foram processados   por terem parado ilegalmente. No carro da patrulha, não colocaram o cinto de segurança no jovem, contrariando o regulamento da polícia.  
    
Depois de circular por algum tempo, continuou a promotora, a patrulha parou e as pernas e tornozelos de Freddie Gray foram amarradas com fitas adesivas, e a polícia o "colocou no chão, de barriga pra baixo". sem ainda estar preso pelo cinto.
    
O jovem sofreu "uma grave e potencialmente fatal lesão no pescoço oriunda do fato de que ele estava algemado, com os pés travados e que não estava preso pelo cinto de segurança" enquanto o veículo da polícia se movia.
    
Um dos policiais, vendo que Gray estava sem reação, "não fez nenhum esforço para avaliar ou determinar sua condição" e "apesar da deterioração de seu estado médico, nenhuma assistência médica" foi solicitada.
    
No dia seguinte ao anúncio de sua morte, a polícia afirmou que vários oficiais haviam sido afastados. Seis nomes foram divulgados dois dias depois: tratam-se de cinco homens e uma mulher com idade entre 25-45 anos que se juntaram à Polícia de Baltimore entre 1997 e 2012.
    
Estes seis policiais vão ser processados por várias acusações, informou a promotora, após ter afirmando que a morte de Freddie Gray é qualificada como "homicídio".
    
Um dos oficiais, Caesar Goodsen, de 45 anos, foi processado por homicídio resultante de uma ação perigosa para terceiros e sem preocupação com a vida humana.
    
O drama de Baltimore e diversos outros eventos semelhantes despertaram a atenção para as tensões raciais latentes nos Estados Unidos entre a comunidade negra e a polícia. Especialmente como a polícia, na maioria dos casos, tem escapado das acusações.
    
Dezenas de manifestações ocorreram nos Estados Unidos nos últimos meses. A morte do jovem de 18 anos Michael Brown, em agosto de 2014, por um policial branco em Ferguson, no Missouri, foi a faísca para chamar atenção para uma série de casos de violência racial que ocorreram na sequência em todo o país.