Faltando menos de um mês para o início da Copa América, que será sediada no Brasil e terá cinco jogos no Mineirão, representantes dos segmentos de bares, restaurantes e hotelaria da cidade começam a se movimentar na expectativa de aumento nas vendas em decorrência do evento. Embora a competição ainda esteja pouco falada em Belo Horizonte, a nuvem escura que paira sobre o ambiente econômico faz com que empresários se agarrem a todas as possibilidades para engordar o caixa. E eles estão otimistas. 

Além dos turistas que devem desembarcar em Belo Horizonte e das delegações dos países que vão se hospedar na capital mineira - Uruguai, Argentina, Paraguai, Equador e Japão - os próprios belo-horizontinos devem procurar os bares e restaurantes para assistir aos jogos.

“Se tudo der certo, este ano vamos empatar com o ano passado. E como a economia vai mal, isso não é ruim. Pelo contrário, é um bom resultado. Estamos trabalhando para não reduzir a receita”, afirma o presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes em Minas Gerais (Abrasel), Ricardo Rodrigues. E a Copa América, segundo ele, vai ajudar a alcançar a meta.

Conforme o representante da Abrasel, mesmo os bares que não são voltados a esportes tendem a transmitir os jogos e a tentar capitalizar o evento. Os que são focados em futebol, no entanto, devem registrar um retorno melhor.  “Esses sempre colocam música, fazem cardápio especial e atraem mais gente mesmo. O brasileiro é apaixonado por futebol e acaba assistindo aos jogos em algum lugar”, diz.

Música 

É o caso da Choperia Krug Bier, localizada no São Pedro. Para receber os clientes, o estabelecimento preparou uma série se ações ligadas ao evento. Nos jogos realizados a partir de quarta-feira, haverá música ao vivo. Dessa forma, apenas o confronto entre Japão e Equador, que cai na segunda, ficará sem a atração. 

Além disso, em todas as partidas será oferecido um prato típico de algum país que estiver jogando e um chope a R$ 20. “Também fizemos jogo americano, displays e decoramos o ambiente com bandeiras de todos os países para atrair os mais diversos públicos. Temos que aproveitar o evento”, diz o diretor comercial da Choperia Krug Bier, Rodolfo Viana. Como reflexo, ele estima aumentar em 30% o faturamento nos dias de jogos.

Postos de trabalho

Para atender à elevação da demanda, será necessário aumentar o quadro de pessoal, gerando empregos. Hoje, 25 pessoas trabalham no local. A previsão é a de que três temporários sejam contratados no período. 

Especialistas

Os restaurantes especializados em comidas típicas dos países que vão jogar em Belo Horizonte também se preparam para receber mais público. No Parrilla Del Mercado, especializado na cozinha uruguaia, a proprietária Fernanda Tomás estima elevação de 30% nas vendas em 16 de junho, quando haverá o confronto entre Uruguai e Equador no gigante da Pampulha.

Além dos belo-horizontinos que vão assistir ao jogo na casa, ela já reservou mesas para turistas que vêm do Uruguai, de São Paulo e de Recife. “Vamos montar um telão e permitir que as pessoas assistam ao jogo e torçam para o Uruguai”, diz Fernanda. 
Aqueles que vão ao estádio, ela convida para um “esquenta” antes evento. “Como o jogo é às 19h, as pessoas poderão vir aqui antes”, comenta.

Se o time passar para a semifinal, que acontece em 2 de julho, nova estrutura será montada. “Somos uma casa tradicional, as pessoas com certeza virão”, aposta a empresária. 

Hotéis 

A taxa de ocupação dos hotéis de BH deve chegar a 70% durante a Copa América, em junho, alta de nove pontos percentuais sobre a média registrada no ano. Nos dias de jogos no Mineirão, a taxa tende a alcançar os 100% em alguns estabelecimentos, conforme o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis em Minas Gerais (Abih-MG), Guilherme Sanson. A título de comparação, na Copa do Mundo a ocupação média foi de 78%.

Na avaliação do economista do Ibmec Felipe Leroy, os empresários devem tirar o máximo proveito do evento. “Estamos enfrentando uma das maiores crises da história. Vivemos um momento em que as famílias estão inseguras e os investidores também. Qualquer movimento que consiga alterar essa queda deve ser aproveitado”, diz.

Questionado sobre a possibilidade de os turistas da Argentina não se deslocarem para o Brasil devido à crise no país vizinho, ele destaca que as pessoas que se dispõe a fazer viagens internacionais para acompanhar eventos esportivos costumam ser de uma classe social mais abastada. Ou se programam com bastante antecedência.