Após uma semana de apresentações com casa lotada no Teatro Castro Alves, em Salvador, a coreógrafa Deborah Colker enfrentou problemas para viajar em um voo Gol, com destino a Porto Alegre e escala no Rio de Janeiro, no fim da manhã de segunda-feira (19).

A decolagem do voo G3-1556 do Aeroporto Internacional de Salvador estava marcada para as 11h50 e tudo sugeria que cumpriria o horário. Após o embarque de todos os passageiros e o fechamento das portas, porém, a tripulação tentou impedir que o neto da coreógrafa, um menino de 3 anos que sofre com uma doença de pele hereditária, epidermólise bolhosa, seguisse viagem no avião. A alegação era que a doença poderia ser contagiosa e outros passageiros fossem infectados.

Deborah chegou a dizer que o neto sofre de uma doença congênita, não transmissível por contato ou proximidade. Segundo relatos de outros passageiros do voo, porém, ela não convenceu os tripulantes, que chegaram a acionar o posto da Polícia Federal no aeroporto para retirar o menino do avião.

Os agentes chegaram a entrar na aeronave. Houve discussão a bordo - e parte dos passageiros passou a defender a coreógrafa. Um médico também foi chamado a bordo, para avaliar a situação. Só então o voo foi liberado. A decolagem ocorreu às 13h16, segundo a Infraero. Em nota, a Gol declarou que "preza, acima de tudo, pelo respeito aos seus clientes e aos cumprimentos das normas de voo" e que "está analisando o ocorrido e tomará as medidas cabíveis".

"Foi uma atitude preconceituosa, discriminatória. Um total despreparo. Depois de um tempo tentando nos tirar do avião o médico da Infraero chegou e perguntou: 'Que doença é essa?'. Dissemos que era epidermólise bolhosa. Ele então confirmou para o comissário que a doença era essa e que não havia problema. Mesmo assim, ele exigiu o atestado. O médico então teve que fazer um atestado em um papel qualquer", disse a coreógrafa em entrevista ao jornal "O Globo".

*Com informações da Agência Estado