O nitrato de amônio, que pode estar relacionado à explosão que deixou mortes e devastação em Beirute, no Líbano, é utilizado em larga escala em Minas. O sal branco e inodoro é usado na composição de fertilizantes na agricultura.

Também é utilizado, no mundo, em explosivos e até em combustível para foguetes. Sensível ao calor e, armazenado em grande quantidade, pode ser perigoso, explica o químico Teddy Marques Farias, do Laboratório de Óleos e Biotecnologia do Instituto de Ciências Agrárias (ICA), da UFMG.

"Trata-se de um composto inorgânico altamente solúvel em água, e que os agricultores compram em grandes pacotes. Não é inflamável, é um produto oxidante. A detonação só é possível dependendo de outras condições, como contato com substâncias combustíveis ou fontes intensas de calor", explicou Farias.

No Líbano, o presidente Michel Aoun afirmou que cerca de 2.750 toneladas de nitrato de amônio foram armazenadas em um depósito do porto de Beirute.

"Normalmente, é estocado em grandes quantidades, pois a substância atende a uma grande demanda da agricultura por fertilizantes. Ele fornece uma necessidade básica das plantas, que são os nutrientes NPK, sigla para nitrogênio, fósforo e potássio", explica.

Segundo o químico, o armazenamento deve ser supervisionado constantemente. "Se o local onde é guardado estiver de alguma forma contribuindo para o aumento de calor, somado ao contato de outro agente combustível, o resultado é a explosão ", reforçou.

Farias alerta ainda que, em contato direto, o nitrato de amônio ainda pode causar problemas respiratórios, irritação na boca, nariz e garganta.

Investigação em Beirute

Conforme agências internacionais, uma investigação está em andamento para encontrar o gatilho exato da explosão. O Conselho Supremo de Defesa do Líbano afirmou que os responsáveis vão enfrentar a "punição máxima". Segundo a imprensa local, o depósito onde o nitrato de amônio estava armazenado existia desde 2014.

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