O senador mineiro Aécio Neves (PSDB) rebateu na tarde desta terça-feira (11), em pronunciamento no Senado, as acusações feitas em delação de executivos da J&F de que ele recebeu mais de R$ 100 milhões em propinas para a campanha eleitoral de 2014, quando o parlamentar foi candidato à Presidência da República. Além do parlamentar, que foi eleito deputado federal por Minas neste ano, a irmã dele Andrea Neves e o primo Frederico Pacheco também estão sendo investigados. Conforme a PF, eles teriam envolvimento com crimes de corrupção passiva, organização criminosa, lavagem de dinheiro e associação criminosa.

Confira a nota do senador mineiro na íntegra:

"Fiz questão de vir falar com vocês, em razão dessas operações desencadeadas hoje em Brasília e em outros estados do Brasil, em primeiro lugar para dizer que as solicitações da Polícia Federal foram absolutamente desnecessárias até porque o maior interessado em esclarecer todas essas questões sempre fui eu. E eu sempre estive à disposição das autoridades para prestar todos os esclarecimentos devidos.

A verdade é que não podemos mais aceitar que delações de criminosos confessos e suas versões se sobreponham aos fatos. E o fato concreto é um só. O que estamos tratando nesse inquérito? De doações à campanha eleitoral. Doações feitas em 2014 de forma legal, registrada na Justiça Eleitoral, aprovadas por esta mesma Justiça Eleitoral, sem absolutamente qualquer contrapartida.

Agora, delatores, e no caso o sr. Joesley Batista, em busca da manutenção de sua imunidade penal, da sua incrível imunidade penal, falseia as informações e transforma algo lícito, legal, com aparência de crime. Não houve nenhuma ilicitude. Ao contrário, procuraram durante todo este tempo algum benefício que eu pudesse ter oferecido ao seu grupo, como governador, como senador da República, não encontraram nada.

Ao contrário, o que encontraram foram delações de um outro membro do grupo, o sr. Ricardo Saud, dizendo que o senador Aécio jamais os ajudou em nada, que o senador Aécio jamais fez qualquer benefício a esse grupo. Esse é o fato.

E se buscarem mais no tempo, quando eu era governador do Estado, o que vão encontrar é uma autuação do Estado a este mesmo grupo feita entre 2008 e 2010. Eles recorreram ao Conselho dos Contribuintes por recolhimento irregular de ICMS e o que ocorreu foi que o Estado enquanto eu governava teve ganho de causa sobre esse grupo.

Chega de tentar transformar a realidade em benefícios para estes delatores. Tenho absoluta confiança na Justiça. A seriedade dessas apurações vai mostrar o que foi feito de forma absolutamente correta, não apenas em relação ao PSDB, mas a outros partidos políticos também, agora envolvidos nessa questão. 

É preciso que a gente fique muito atento para impedir que os interesses desses delatores, criminosos confessos, se sobreponham à verdade. Eu sempre estive à disposição da Justiça. Continuarei pronto para dar todas as explicações. Hoje mesmo os advogados estão em contato com o delegado da Polícia Federal para marcar este depoimento que eu quero que ocorra o mais rapidamente possível para que a verdade prevaleça. Não há absolutamente nenhuma ilicitude.

Esses valores aí colocados são os valores depositados nas contas de campanha eleitoral, tanto do PSDB, quanto dos partidos que nos apoiaram. E, certamente, vão encontrar outros recursos depositados também na conta daqueles partidos que foram nossos adversários na campanha eleitoral. Criminalizar a doação que era legal, repito, é um desserviço à verdade e a Justiça".

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