Ao longo dos anos, a Nissan acumulou grandes esportivos no currículo. Desde o incontestável Skyline GT-R até a atual geração do “Godzilla”, a marca japonesa conquistou fama em diferentes mercados com seus modelos ariscos. Sylvia, 180SX, 200SX, 240SX são alguns deles, mas poucos são tão carismáticos como o Z, que no Japão é conhecido por Fairlady. O Z fez história, principalmente nos Estados Unidos, nas gerações 240Z, 300ZX e 350Z. Agora ele se renova mais uma vez com o Z Proto.

O novo Z repete a mesma receita do 350Z, que em 2003 estreou com uma releitura do modelo original para superar o bem sucedido 300ZX. Agora o Proto bebe na mesma fonte, com carroceria fastback, capô longo com ressalto longitudinal, janelas espia triangulares e grade retangular. As lanternas com molduras inteiriças remetem ao 300ZX, que era um dos japoneses mais populares ao lado de Eclipse e Celica.

Debaixo da casca

Sob o capô, o Novo Z adota um V6 biturbo e transmissão manual de seis marchas. A Nissan não revela os números de potência e torque, mas, ao que tudo indica, é uma versão mais suave da unidade do GT-R “Godzilla”, que tem 3.8 litros 608 cv.

Por dentro, o novo Z mantém a pegada esportiva, com direito a console elevado, acentuado pela transmissão manual, relógios analógicos destacados e bancos envolventes. Ao mesmo tempo, o carro chega à contemporaneidade com quadro de instrumentos digital de 12,3 polegadas e um generoso multimídia. 

Histórico

O Nissan Z foi o porta-bandeira da marca japonesa nos Estados Unidos, mercado onde o esportivo acumula mais de 1,5 milhão de unidades vendidas em 50 anos. Trata-se de um número que a Ford F-Series faz em um ano. Mas se tratando de um esportivo importado, é um desempenho expressivo.

A primeira geração S30 foi lançada em 1969. Com capô longo, traseira fastback curta e faróis redondos, o carro tinha clara referência aos modelos europeus, o diferenciava dos gran-dalhões norte-americanos.

No Japão, onde era vendido como Fairlady Z, ele utilizava o mesmo motor 2.0 de 130 cv do Skyline. Para os Estados Unidos, ele ganhou uma unidade seis cilindros 2.4 de 151 cv, que contavam com carburadores Hitachi. Nos EUA, foi batizado de 240Z, em referência a capacidade volumétrica do motor. 

Segunda geração

A segunda geração chegou em 1978, com direito a versão T-Top (com painéis do teto destacáveis, como no Pontiac Firebird). O motor 2.4 deu lugar a uma unidade 2.8 turbo, que fez com que o carro fosse rebatizado com 280ZX. 

O novo motor deu mais fôlego ao esportivo japonês, que entregava 180 cv e 27 mkgf de torque. Para atender ao mercado americano, o modelo também passou a ser equipado com transmissão automática de três marchas, além da unidade manual de cinco velocidades.

O desempenho do esportivo impressionava diante dos letárgicos e estrangulados Camaro e Pontiac. O 280ZX foi eleito Carro Importado do Ano pela revista Motor Trend’s de 1979. 

V6

Mas a vida do 280ZX não seria fácil. Seus conterrâneos também tinham seus esportivos. A Toyota fazia sucesso com o Celica Supra, assim como a Mazda com o RX-7. Assim, em 1984 a Nissan lançou a terceira geração que se passou a chamar 300ZX.

O antigo motor seis cilindros em linha deu lugar a uma unidade V6 3.0 com versão aspirada e turbo. A primeira entregava 160 cv enquanto a opção com sobrealimentação gerava 200 cv, que garantia excelente performance.

Z32

Uma das versões mais famosas do Z foi apresentada em 1989, com o código de geração Z32. Ela manteve o nome de 300ZX, mas com muito mais potência e visual que se tornou clássico. 

Seus faróis protegidos por uma bolha se tornaram marca registrada dessa geração, assim como o teto T-Top. Um detalhe interessante é que essa geração teve duas opções de carroceria, uma com dois lugares e outra 2+2, que exigiu o deslocamento do bocal do tanque de combustível. Ele também teve versão conversível, com teto de tecido. 

No início dos anos 1990 o 300ZX se posiciona no topo da gama de esportivos da Nissan. Acima dele, apenas o Skyline GT-R. Mas ele era restrito ao mercado japonês. 

Assim o 300ZX era o Nissan que impressionava nos Estados Unidos e Europa, onde concorria com Toyota Celica, Supra, Mitsubishi Eclipse e 3000GT, assim como Mazda RX-7 e até mesmo o futurista Honda NSX (Acura NSX, nos EUA). 

Sob o capô, o V6 3.0 recebeu um par de turbinas Garrett, que elevaram a potência para generosos 300 cv e 38,4 mkgf de torque. Números que garantiam aceleração de 0 a 100 km/h em 5 segundos e velocidade máxima de 249 km/h, e desempenho para não fazer feio diante de esportivos consagrados como Porsche 964 Carrera. 

Ele também desafiava o poderoso Chevrolet Corvette (C4) que era o grande esportivo americano dos anos 1980. Essa geração ficou em linha até 2000 e até hoje é uma das mais populares do Z. 

350Z

Depois de dois anos fora de linha, a Nissan compensou com o 350Z. Com o Skyline GT-R descontinuado (entre 2002 e 2007), esse carro assumiu como esportivo da marca, com versões cupê e roadster.

Com estilo que remetia à primeira geração, o 350Z abria mão do V6 biturbo por outro V6 aspirado 3.5, que entregava 291 cv e 37 mkgf de torque, mas foi ganhando potência com o passar dos anos e encerrou sua jornada entregando 312 cv. Ele poderia ser equipado com transmissão automática de cinco marchas ou manual de seis velocidades. 

O 350Z foi sucedido em 2009 pelo 370Z, que era uma evolução de seu estilo, mas utilizava elementos inspirados no Juke. Nessa geração o V6 teve deslocamento ampliado para 3.7 litros e potência subiu para 337 cv. O torque, por sua vez, caiu para 36,5 mkgf, mas não comprometeu o desempenho do esportivo. Essa geração, ao lado 300ZX e do 240Z, é a mais longeva da linhagem Z.