Não se deve negar que a Citroën é ousada em seus conceitos de design. Desde o 2CV, passando pelo DS, XM e C5, a marca do duplo chevron gosta de brincar com as formas. Até hoje não há consenso sobre em qual categoria o DS5 se insere. Há quem diga que é um hatch grande, como foi o Xantia. Outros apontam como perua e há quem sugira que se trata de um monovolume. Mas fato é que a marca acaba de revelar o novo C4, que parece um SUV, mas a marca garante que é hatch.

À primeira vista, qualquer um tem certeza de que se trata de um SUV cupê, como o VW Nivus, BMW X6 ou Audi Q3 Sportback. Faria até bastante sentido, pois esse tipo de utilitário está em alta no mercado. Mas a Citroën deixa claro que se trata de um hatch, mesmo com as molduras plásticas nas caixas de rodas e nas portas. Enfim...podemos dizer que é um hatch aventureiro, então.

A francesa sempre gostou de brincar com formas e fugir do trivial. Certa vez, no lançamento do DS4, a marca trouxe da França, o designer responsável pelas formas do carro. E numa conversa em que se misturava inglês, português, francês e umas biritas o profissional falou sobre a liberdade de criação, algo que não existia em outras marcas, como por exemplo a Porsche. 

Com conhecimento de causa, ele disse que era muito difícil sair das regras. Naquele momento fiquei pensando nele recortando o 911 e Ferry Porsche se contorcendo no túmulo. E nesse quesito o novo C4 segue à risca o discurso do talentoso designer da marca francesa. O C4 é fascinante.

Argumentos

Mas por quê não chamá-lo de SUV, SUP, SUT, SUC, e demais siglas que se inventam para defender quem um carro qualquer é um utilitário-esportivo? Afinal, não é o que o consumidor, em sua maioria, anseia: um jipinho de asfalto? Buenas, a marca do duplo chevron tem suas razões e as revela. 

De acordo com ela, o segmento hatchback corresponde a 11% de suas vendas no continente europeu. Daí a necessidade de manter o segmento vivo, mesmo com a pesada concorrência dos SUV’s, que correspondem a quase um terço dos emplacamentos da Citroën. 

E o novo hatch médio chega com elementos que remetem ao modelo que estreou o nome em 2004. Ele conta com uma carroceria com teto com cadência em arco, como no modelo original. Mas com elementos mais modernos, um monte de vincos na carroceria e uma seção frontal arrebatadora.

Os conjunto ótico em três níveis se tornou marca registrada da francesa, desde o C4 Picasso. Já a traseira é tão legal quanto a parte frontal. As lanternas elevadas dão um ar de robustez ao modelo, assim como o aerofólio. Agora o C4 tem cara de mau e não de carrinho pacato. 

Mas se por fora ela rosna, debaixo do capô o francês é manso. O C4 acompanha a atual estratégia da PSA, que consiste em eletrificar seus modelos. Assim, ele tem uma versão 100% elétrica, com motor de 136 cv e autonomia para 350 quilômetros. A própria arquitetura do modelo foi desenhada para acomodar as baterias, que vão abaixo dos bancos. 

Já os propulsores a combustão têm versões de 100 e 155 cv (à gasolina), além de opções diesel de 110 e 130 cv. Pelo visto, faltou uma opção mais nervosa para fazer jus ao visual. Nem mesmo o apimentado THP 1.6, que já teve versões com mais de 200 cv figura na lista de motores. Uma pena, pois o desenho pede.

Por dentro, o desenho é elegante, com quadro de instrumentos digital e uma charmosa tela flutuante, além de projetor de informações na altura dos olhos. Freio de mão e alavanca de marchas desapareceram de vez. Tudo tem acionamento eletrônico. Basta tocar as teclas e sair dirigindo, nem que seja sem pressa. 

Mas se o amigo gostou desse francês, saiba que as chances de desembarque são remotas, afinal os hatches médios estão em extinção por aqui. Quem sabe a Citroën não abre olho e ofereça o modelo como SUV cupê. Basta querer.