Depois de muito relutar e até mesmo desaconselhar o uso de vacinas contra a pandemia de Covid-19, o presidente Jair Bolsonaro disse ontem que apoia a iniciativa dos empresários de importar 33 milhões de doses da AstraZeneca. Ele defendeu, no entanto, que metade desse montante seja doado ao Sistema Único de Saúde (SUS) e a outra parte utilizada para vacinar os próprios funcionários dessas empresas para “garantir” que a economia do país não pare.

“O governo federal é favorável a esse grupo de empresários para levar avante sua proposta para trazer vacina para cá, a custo zero, para o governo federal, para imunizar 33 milhões de pessoas. No que puder essa proposta ir à frente, nós estaremos estimulando porque, com 33 milhões de doses de graça, ajudaria e muito a economia e para aqueles que queiram se vacinar o façam para ficar livre do vírus”, disse Bolsonaro.

O presidente da Federação das Indústria de Minas Gerais (Fiemg), Flávio Roscoe, porém, entende que no momento a prioridade é do SUS. 

“O setor privado fez um esboço nessa direção, mas há também uma certa preocupação de não ficar parecendo que as empresas estão furando fila. As empresas estão querendo ajudar”, disse, lembrando que hoje a preocupação da Fiemg é sempre priorizar a sociedade, que tem que entender que essa ação das empresas é positiva, mas tem que ser bem avaliada para garantir toda preferência para o SUS. 

Flávio

Flávio Roscoe, presidente da Fiemg: “A sociedade tem que entender que essa ação das empresas é positiva”

 

A proposta também foi bem recebida pela Federação do Comércio de Minas Gerais (Fecomércio Minas). Para o diretor da entidade, José Mário Rodrigues, a vacina criará condições para as pessoas voltarem a uma rotina normal.

“Acreditamos também que a economia voltando ao ritmo de crescimento, o nosso setor está preparado para entregar bons resultados. “Nós sabemos da importância de conciliar a saúde com o crescimento econômico e, por isso, apoiamos a colaboração voluntária dessas empresas, especialmente as grandes, de comprar doses de vacinas contra o coronavírus”, disse.

José Mário Rodrigues afirma também que a entidade é favorável à doação ao SUS, para ajudar outros grupos, principalmente os mais vulneráveis. “Entendemos que somente com a população vacinada poderemos garantir a reabertura definitiva das atividades afetadas. A saúde e a confiança são condições essenciais para a retomada do comércio, dos serviços e do turismo no Estado. Precisamos gerar emprego e renda, além de vencer de vez a Covid-19”, da enfatiza. 

A Fecomércio Minas representa atualmente mais de 580 mil empresários dos segmentos de bens, serviços e turismo no Estado de Minas Gerais. 

Carta de intenção
O presidente Jair Bolsonaro explicou que, na semana passada, o governo foi procurado por empresários para que fossem importadas 33 milhões de doses da vacina de Oxford. Bolsonaro informou que o governo já assinou uma carta de intenção favorável à medida.

“Já somos o sexto país que mais vacinou no mundo, brevemente estaremos nos primeiros lugares, para dar mais conforto à população, segurança a todos e de modo que a nossa economia não deixe de funcionar”, disse.
A farmacêutica AstraZeneca informou ontem que não tem doses disponíveis do imunizante para o mercado privado. 
 

(*) Com Agência Brasil