Termômetros importantes da economia, dois índices de confiança de empresários industriais – o da Confederação Nacional da Indústria (CNI) e o da Fundação Getúlio Vargas (FGV) – subiram significativamente em julho, apontando otimismo de diversos setores mesmo ainda em meio à pandemia da Covid-19. 

Segundo a CNI, a confiança subiu este mês em 25 dos 26 segmentos da indústria de transformação – a exceção foi o de biocombustíveis – e, em nove deles, as respostas dos entrevistados elevaram o indicador para mais de 50 pontos, algo que não ocorria desde o primeiro trimestre do ano, caracterizando a retomada das expectativas positivas. 

Na indústria extrativa, o indicador, que já havia ultrapassado os 50 pontos em junho, elevou-se mais um pouco e chegou aos 53,8 pontos. Só na indústria de construção o medidor seguiu abaixo do limiar para o início do otimismo: 46,3 pontos, mas com alta de 3,7 pontos sobre o mês anterior.
Já na aferição da FGV, o índice geral de confiança da indústria cresceu 12,2 pontos em julho, alcançando 89,8 pontos – segunda maior variação positiva da série histórica. 

“Em julho, a confiança da indústria de transformação, principalmente, seguiu avançando, impulsionada pela diminuição do pessimismo para os próximos três meses”, diz Renata de Mello Franco, economista da FGV.

Entre os setores que retomaram a confiança na economia, conforme a CNI, boa parte tem se beneficiado do “novo normal” imposto pela pandemia, ampliando a produção e o faturamento. É o caso do segmento de produtos de material plástico. 

Segundo a presidente do sindicato das indústrias do setor em Minas (Simplast), Ivana Serpa Braga, no início da crise houve queda grande na demanda, o que deixou os empresários temerosos. “No setor automobilístico, por exemplo, a redução foi de 40%”, afirma ela. Com o tempo, contudo, as vendas melhoraram, com perspectiva de ascensão contínua. “Com a evolução da pandemia, setores como o de alimentos para consumo em casa e de material de limpeza e de higiene têm nos demandado bastante, em razão dos envoltórios e embalagens”, destaca a empresária.

O setor de móveis também tem se saído bem, conforme a presidente do sindicato da indústria moveleira do Estado, Iara Gomes Abade. “Nos primeiros dias (da pandemia), muitos empresários fecharam revendas e deram férias aos empregados”, conta. “Entre a maio e junho, percebemos um mercado diferente: as pessoas, mais em casa, viram que móveis precisavam ser trocados. Além disso, com os novos arranjos, a mesa de jantar, por exemplo, teve de ser substituída para servir a estudos e trabalho”, acrescenta Iara, que prevê mais aumento nas vendas no segundo semestre:“Temos ainda uma demanda reprimida”.