De 2017 para 2018, a quantidade de pessoas que atuava profissionalmente a partir de casa aumentou quase 22% no país, atingindo 3,8 milhões de trabalhadores. O número manteve-se estável ao longo de 2019. De março deste ano até agora, contudo, após a chegada e a disseminação da pandemia da Covid-19, o salto foi gigantesco: a última Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad-IBGE), relativa a junho, apontou nada menos do que 8,7 milhões de brasileiros, ou 12,5% do total da força de trabalho do país – e mais que o dobro do que havia há um ano –, em home office.

Um dos reflexos da opção (imposta, em alguns casos) contínua e acelerada de trabalhadores, que passam a labutar na própria residência, por força do isolamento social e antecipando o que tem sido chamado de “novo normal” na sociedade, é o aumento da oferta de imóveis. Sobretudo os novos, já construídos com espaços para as atividades profissionais dos moradores. 

Na capital mineira, por exemplo, ao menos duas construtoras, uma de alto padrão e outra voltada para clientes de média e baixa renda, trabalham tal conceito e estão animadas com a elevação da procura – exatamente, pelo mencionado diferencial que têm a oferecer.
“Idealmente, quem faz home office deveria ter um escritório em casa, mas essa não é a realidade para muitas pessoas. Acreditamos que esse modelo veio para ficar, por isso, projetamos apartamentos flexíveis que atendam às necessidades do morador”, explica a arquiteta Isabella Fernandes e Souza, da construtora Emccamp Residencial, que atua fortemente no segmento “Minha Casa Minha Vida”, de moradias de baixo custo.

A construtora tem, atualmente, uma série de projetos para condomínios com tais características em Minas, sobretudo na Grande BH. Um deles, lançado em novembro do ano passado e com 40% das unidades vendidas, é o Canto do Sabiá, em Ribeirão das Neves. 

O empreendimento conta com 304 apartamentos de dois quartos, cada um ao custo de R$ 122 mil, e todos abrigando um pequeno home office na área de circulação interna, além de ampla área de lazer.

“Hoje, nosso apartamento é o único que tem tal atrativo. Isso tem despertado a atenção de clientes, sobretudo os trabalhadores autônomos, que necessitam desse espaço em casa. Com a Covid, ess a demanda cresceu ainda mais”, afirma o gerente de vendas do produto, Leandro Oliveira.

Atuante em segmento mais sofisticado, a RKM, também sediada em BH, investe em um conceito semelhante ao da Emccamp. “Sempre trabalhamos com a ideia de espaços multifuncionais, tendo como premissa a flexibilização das plantas conforme as necessidades dos clientes”, diz a gerente de negócios da empresa, Juliana Maioli. 

“Por isso, diria até que antecipamos a importância do home office, que ganhou maior visibilidade na pandemia. Vamos lançar, neste semestre, um empreendimento projetado ainda em 2019. Será em Nova Lima e terá apartamentos de alto padrão com entrada independente para o home-office, também acessível pelo imóvel”, acrescenta ela, lembrando que cada um custará em torno de R$ 1,6 milhão.