Arrolado como a primeira testemunha do Ministério Público Federal no julgamento de dois dos quatro acusados de serem os mandantes da Chacina de Unaí, o delegado Wagner Pinto de Souza declarou nesta terça-feira, dia (27): "O Norberto é o cabeça dessa trama criminosa. Concluímos na época que havia ameaças explícitas do Norberto contra o fiscal Nelson José da Silva dizendo que iria matá-lo por conta das contundência das fiscalizações", afirmou o delegado.

Ao todo, cerca de 34 testemunhas foram arroladas pela defesa e MPF. O delegado Wagner Pinto atuou desde o início das investigações. Formado por quatro mulheres e três homens, o júri da Chacina de Unaí teve inicio nesta terça-feira com previsão de termino da quinta-feira próxima (29).

Clique aqui e leia na íntegra a cópia da denúncia do MPF contra os acusados da Chacina de Unaí.

Enquanto chegava ao Tribunal do Júri Federal, em Belo Horizonte, o advogado do fazendeiro Norberto Mânica, acusado de ser um dos mandantes da Chacina de Unaí, disse que vai desqualificar o depoimento de delação premiada feito pelo empresário Hugo Alves Pimenta. Segundo Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, a colaboração dada por Hugo Pimenta ao Ministério Público Federal é contraditória, ilegal e será benéfica para inocentar Norberto.

"É uma delação muito boa para meu cliente porque foi uma delação forçada, preparada e fora dos ditames legais. Ele entra em contradição. Tecnicamente falando a prova é muito boa. Vamos provar a inocência, provar que ele não tem responsabilidade", argumentou Kakay, em entrevista na porta da Justiça Federal em Belo Horizonte.

A expectativa é a de que o júri comece nesta terça-feira, após quase 12 anos do assassinato de quatro servidores do Ministério do Trabalho.

Na semana passada, o juiz Murilo Fernandes de Almeida, da 9ª Vara Federal da Justiça Federal em Belo Horizonte, adiou o julgamento. A decisão, tomada após intensa discussão entre as partes, foi tomada a pedido de Kakay. O motivo foi por ele não ter tido acesso a novas provas que foram anexadas ao processo.

O magistrado tomou a decisão para evitar a anulação do processo. “Sou obrigado a adiar para não causar uma anulação futura de todo o processo”, argumentou o juiz Murilo Fernandes.

Segundo Kakay, novas provas foram juntadas sem aviso prévio para a defesa. O advogado disse que o delator Hugo Pimenta, apontado como intermediário do crime, entregou sete mídias em um novo acordo de delação premiada com o Ministério Público Federal (MPF).

O acordo, segundo o advogado, foi homologado no último dia 20 à revelia da defesa. "O MP está fazendo jogo duplo. Aceitaram novas provas totalmente fora do tempo. Alguém aí gostaria de ser julgado sem conhecer as provas?" questionou Kakay.

O assistente da acusação, Antônio Francisco Patente, rebateu o advogado e afirmou que o pedido de adiamento é uma estratégia. Segundo Patente, não existem novas provas, mas apenas a retificação do depoimento tomado anteriormente. "Não existe nenhum átomo de prova nova. O juiz homologou tudo aquilo que já havia sido dito", declarou. Em plenário, a procuradora da República Mirian Moreira Lima, responsável pela denúncia, criticou a atitude da defesa. “Vocês não querem participar do júri”, alegou.

Com a decisão, Norberto e José Alberto de Castro, serão levados a júri nesta terça. O ex-prefeito Antério Mânica, outro suposto mandante, sentará no banco dos réus no dia 4 de novembro. Já o delator Hugo Alves Pimenta, acusado de ser o outro intermediário, será julgado em 10 de novembro, já que o processo contra ele foi desmembrado pelo juiz Murilo Fernandes, a pedido da defesa do réu colaborador, conforme o Hoje em Dia adiantou.