O Aeroporto da Pampulha se aproxima da marca de 1 milhão de passageiros por ano, e tem somente para 2015 mais 42 novos voos já aprovados. O terminal já perdeu seu caráter regional e mantém frequências para outras capitais e cidades importantes de outros estados, seja pelo turismo ou pelos negócios. A concorrência aberta com o terminal de Confins vai beneficiar o usuário.
 
Desde 2010, quando foi derrubada a portaria 993/2007, da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), que restringia as operações a aviões com capacidade acima de 50 passageiros ou turboélices de 70 assentos, a movimentação do saguão reflete o novo momento do aeroporto.
 
Em 2009, quando ainda vigorava a restrição de aeronaves, o terminal movimentou 598 mil passageiros. 
 
Gradualmente, com a operação de novas rotas e novos horários de voos, esse contingente aumentou e alcançou no ano passado 945 mil passageiros entre pousos e decolagens, um salto de 58%. Nesse período, as aeronaves que pousaram ou decolaram em Confins passaram de 58,2 mil pata 64 mil, aumento de 10%.
 
A Anac ainda analisa a liberação de outras 12 decolagens ainda este ano para o terminal, de pedidos feitos pela Azul Linhas Aéreas e Passaredo. Esta última pretende dois novos horários de voos diretos para Brasília. Quando estava em vigência a portaria que restringia as operações, voos a partir da Pampulha para fora do Estado deveriam obrigatoriamente fazer escalas, o que deixou de ser regra.
 
A decisão 49, de março de 2010, da Anac, acabou com essa e outras barreiras, o que foi o gatilho para a retomada do crescimento das operações. A agência considerou infundadas as motivações que restringiam os voos. “Ao estipularem limitação sem fundamento em aspectos de segurança operacional ou de efetiva capacidade operacional, contrariam o supracitado diploma legal”, diz a decisão.
 
Os pedidos de voos com aeronaves com capacidade superior a 50 assentos, no entanto, ainda passam por avaliações especiais “pois a infraestrutura presente no aeroporto pode não atender essas solicitações”.
 
De acordo com a Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero) a capacidade do terminal da Pampulha é de 2,2 milhões de passageiros por ano e de 25 pousos e decolagens por hora. O pico de movimentação foi em 2004, com 3,1 milhões de passageiros.
 
A robustez do aeroporto não era bem vista pelo governo anterior, que inclusive contratou os serviços de John Kasarda, consultor de multinacionais como Boeing, Airbus, FedEx, Lufthansa e outras, e que defendia o fechamento do aeroporto da Pampulha.
 
Para Kasarda, a competição entre os dois terminais prejudicaria o crescimento do vetor Norte, e o passageiro trocaria a qualidade de Confins pela conveniência da proximidade da Pampulha.
 
Para a mestre em engenharia de infraestrutura aeroportuária Ketnes Lopes, a concorrência entre os aeroportos é benéfica. “Em termos de prestação de serviços haverá uma competição que gerará benefícios ao usuário. Hoje, no país, isso só ocorre em São Paulo, e Belo Horizonte pode sair ganhando”, disse.
 
Empresas aéreas fazem pedidos à Anac para novos voos
 
O próximo novo destino de voos da Pampulha poderá ser a turística Porto Seguro, na Bahia. A Passaredo entrou com pedido, em análise pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). O pedido foi protocolado dia 3 deste mês e, se aprovado, a operação começará em primeiro de maio. A partida seria às 8h30 com chegada às 10h10. Os dias da semana não foram informados.
 
A Passaredo também pediu novas frequências para Brasília e Ribeirão Preto (SP). Já Azul pretende ampliar voos para Montes Claros e Campinas (SP).
 
A Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero) disse que o terminal da Pampulha passou por reformas recentes e que haverá novo ciclo de investimentos, mas não informa valores ou prazos. Em nota, a assessoria de imprensa da autarquia disse que já foi encaminhada à Anac um Plano Diretor.
 
“Recentemente, foi concluído um ciclo de obras importantes, como a nova torre de controle, reforço do pavimento do pátio 2 e nova subestação de energia. A médio e longo prazo, novas obras serão definidas”, diz o texto.
O presidente da Associação Amigos da Pampulha, Flávio Marcus Ribeiro de Campos, antes opositor da volta do aeroporto como grande operador, agora diz que o crescimento não tem gerado reflexos negativos. “Até agora, nenhum problema. Não vejo nem ouço esses aviões”, afirmou.
 
O governo estadual foi procurado e disse que avalia a situação. A Prefeitura, em nota, informou que obras de mobilidade e o transporte público disponibilizado atenderão ao aumento da circulação de passageiros. “A Prefeitura de Belo Horizonte vem realizando diversas intervenções viárias e de mobilidade na Região da Pampulha, como a implantação do corredor Move Antônio Carlos/Pedro I e da linha executiva SE01 (Cidade Administrativa/Savassi) que, desde outubro de 2014, passou a atender o Aeroporto da Pampulha”, diz a nota.