O sistema financeiro brasileiro iniciou ontem um processo que deve modificar completamente a relação entre clientes e bancos. Tudo em razão do “Open Banking”, posto finalmente em vigor pelo Banco Central (BC), mas que será implantando em quatro fases, até dezembro. 

Por meio dele, os clientes terão acesso as informações que hoje estão sob o controle das instituições financeiros, como os dados cadastrais e o histórico de transações. A ideia é dar a tais clientes a possibilidade, de, com a posse desses dados, procurar outros bancos para contratar serviços, empréstimos e outras operações financeiras. 

Especialistas esperam que o Open Banking aumente a competitividade entre os bancos e traga aos clientes opções de serviços de créditos mais baratos e de melhor qualidade. Para o consultor do Departamento de Regulação do Sistema Financeiro do BC, Mardilson Fernandes Queiroz, o open banking mudará a lógica de funcionamento do sistema financeiro.

“O Open Banking traz pelo menos três vantagens para os clientes: oferta de produtos com juros mais adequados, o aumento da concorrência e a inclusão de brasileiros no sistema bancário”, destaca Queiroz.

Basicamente, o sistema propicia o compartilhamento de dados entre as instituições bancárias, sejam de pessoas físicas ou jurídicas, desde que a pedido dos clientes. Segundo o consultor financeiro Paulo Vieira, essa é a porta para a modernização e ampliação da competitividade do sistema financeiro nacional, que, apesar de muito sofisticado, sofre com a concentração de mercado. 

“Temos uma grande quantidade de produtos, mas a competividade é muito restrita. Com todo o processo de transparência e normatização do OB, como será feito pelo BC, isso deve mudar”, destaca Vieira.

Fato é que, com a novidade, será possível ao correntista buscar opções de crédito com muito mais facilidade. Por exemplo: um cliente do banco A poderá requisitar seu histórico de crédito, sobretudo se a ficha for de “bom pagador”, e levar essas informações ao banco B, com o qual não tem vínculo.