Quinze mandados de busca e apreensão foram cumpridos na manhã desta terça-feira (22) durante a operação Caixa Fantasma, que investiga compra de votos e caixa dois nas eleições de 2018, no Leste de Minas. A ação foi realizada pelo Ministério Público (MPMG), por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), Promotoria Eleitoral de Governador Valadares e Polícia Militar.

As investigações começaram a partir da operação Octopus, que apurou vários crimes, como corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro, falsidade ideológica e organização criminosa, ocorridos na Prefeitura de Divino das Laranjeiras, entre os anos de 2005 a 2016. 

Na época foram identificadas conversas por meio de aplicativo de mensagem entre o ex-prefeito da cidade e um candidato a deputado federal eleito na região. De acordo com o MPMG, esse candidato usava a estrutura de um hospital para garantir a promessa de tratamento de saúde feita aos eleitores. Ele teria acesso a cerca de 21 procedimentos cirúrgicos e os utilizava para a prática da compra de votos.

O MPMG apurou também que ele se aproveitava do bom relacionamento com prestadores de serviço na área da saúde para garantir procedimentos médicos de graça aos seus eleitores.

A prática de caixa dois ficou comprovada por meio de movimentações financeiras não declaradas na conta pessoal dele. Dentre as transações está um depósito de R$ 100 mil realizado por um cabo eleitoral do candidato, que também é alvo da operação.

As diligências revelaram também que dois empresários, um de Belo Horizonte e outro de Governador Valadares, tiveram participação direta na campanha, inclusive com doações não computadas na prestação de contas final do candidato.