Uma operação deflagada nesta quinta-feira (2) pela Polícia Civil do Rio de Janeiro investiga se os responsáveis pelo desabamento de dois prédios no Condomínio Figueiras do Itanhangá, no bairro da Muzema, que resultou na morte de 24 pessoas no dia 12 do mês passado, têm envolvimento com a milícia. A operação, realizada pela 16ª Delegacia de Polícia (Barra da Tijuca) com apoio da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco), cumpriu mandados de busca e apreensão no Rio de Janeiro, na Paraíba e em Pernambuco.

A delegacia especializada investiga se José Bezerra de Lima, o Zé do Rolo; Renato Siqueira Ribeiro; e Rafael Gomes da Costa têm envolvimento com a milícia que age na região. De acordo com a Polícia Civil,  Zé do Rolo teria construído os prédios enquanto os outros dois seriam corretores informais encarregados da venda dos imóveis. Eles foram reconhecidos por testemunhas ouvidas no inquérito policial.

Eles tiveram a prisão temporária (30 dias) decretada pela Justiça no dia 19. Os três são acusados de serem os responsáveis pelos prédios irregulares que desabaram na Muzema e são considerados foragidos.

“Hoje os alvos são os próprios foragidos, familiares que estejam ocultando provas, mandados de busca são em locais onde possam ter provas escondidas. Nós estamos procurando 20 alvos. A operação é em conjunto com a Draco. Não vai parar, nós não vamos sossegar enquanto não colocarmos essas pessoas na prisão e outros demais integrantes que por ventura nós descobrirmos”, disse a delegada Adriana Belém, titular da 16ª delegacia da Barra da Tijuca.

A delegada disse que os três são acusados de homicídio por dolo eventual multiplicado 24 vezes, correspondendo ao número de mortos na tragédia.

Mandados em três estados

Os mandados de busca e apreensão foram cumpridos hoje nas zonas sul e norte e também na Baixada Fluminense. Foram apreendidos documentos, computadores, mídias e materiais que serão analisados pelos agentes. Outros mandados foram cumpridos no estado da Paraíba e em Pernambuco, no Nordeste, onde moram familiares de Zé do Rolo. 

Um dos mandados de busca e apreensão foi realizado na Associação de Moradores da Muzema onde foram apreendidos documentos e computadores. A ação se estendeu para a comunidade Rio das Pedras, que fica próxima e também é comandada pela milícia. Na nota, a Polícia Civil não informou o número de mandados cumpridos e se houve prisões durante a ação.

Limpeza

Os moradores da Muzema reclamam da falta de limpeza dos órgãos da prefeitura desde o temporal que destruiu ruas da comunidade, com as ruas tomadas de lama, pedras que rolaram das encostas e muito lixo. A Companhia Municipal de Limpeza Urbana (Comlurb) informa que os trabalhos em Muzema já retornaram à rotina.

“A companhia fez toda a remoção de terra, lama, galhos e árvores que desceram das encostas por conta do temporal na primeira quinzena de abril. As equipes removeram 3.300 toneladas de resíduos em toda a região do Itanhangá. Somente na Estrada do Itanhangá, altura do número 2.240, ainda há a retirada de uma grande pedra pendente, mas que só é possível depois de ser quebrada, o que não é feito pela Comlurb. A rotina na Muzema e Tijuquinha é coleta domiciliar, varrição e remoção de resíduos diariamente com o apoio de um caminhão compactador, quatro basculantes e uma pá carregadeira, e equipe de até 15 garis”