A Corte Suprema dos Estados Unidos aprovou, no mês passado, o casamento entre pessoas do mesmo sexo em todo o país, o que deixou a população norte-americana dividida sobre o tema, de acordo com uma pesquisa da Associated Press com a GfK, concluindo que o apoio ao casamento gay caiu levemente em relação ao início do ano. A pesquisa foi conduzida online, com 1.004 pessoas, entre 9 e 13 de julho. A margem de erro é de 3,4% para mais ou para menos.

A pesquisa também encontrou quase um empate sobre se oficias de cartório com objeções religiosas devem ser obrigados a dar licenças de matrimônio para casais do mesmo sexo, com 47% dos entrevistados afirmando que sim e 49% que eles devem ser liberados.

No geral, se há um conflito de interesses: a maioria dos entrevistados acredita que a liberdade religiosa deve estar acima dos direitos homossexuais, de acordo com a pesquisa. Enquanto 39% afirmam que é mais importante o governo proteger os direitos gays, 56% acreditam que a proteção da liberdade religiosa deve estar acima.

De acordo com a pesquisa, 42% das pessoas aprovam o casamento entre pessoas do mesmo sexo e 40% são contra. No mês passado, 48% dos entrevistados apoiavam a medida e, em janeiro, 44%.

Questionados especificamente sobre a decisão da Suprema Corte, 39% afirmam terem aprovado e 41% são contra.

"O que a Suprema Corte fez foi colocar em perigo nossa liberdade religiosa", disse Michael Boehm, engenheiro de Detroit que se descreve como um conservador independente. "Você verá um conflito entre a lei civil e as pessoas que querem viver suas vidas de acordo com sua fé", comentou.

Boehm está entre os 59% dos entrevistados que afirmaram que empresas que trabalham no ramo do matrimônio, que têm alguma restrição religiosa, devem ser permitidas a recusar prestar serviços para casais do mesmo sexo. Em abril, eram 52% com esta opinião.

Além disso, 46% afirmaram que o comércio no geral deve ter liberdade para recusar a prestação de serviços para casais do mesmo sexo, enquanto 51% acreditam que isso não deva ser permitido.

Claudette Girouard, aposentada, residente em Chesterfield Township, no estado do Michigan, afirma ser uma moderada independente que, gradualmente, passou a apoiar a legalização do casamento gay.

"Eu não vejo qual é o problema", disse. "Se eles estão felizes, por que não?", comentou.

Girouard disse que oficias do cartório devem ser obrigados a fazer casamentos entre pessoas do mesmo sexo, mas não acredita que o comércio do setor de matrimônios deve ser obrigado a prestar serviços.

"Se o oficial do cartório não gosta do que deve fazer, então que se demita", ela disse. "Mas o comércio é independente, então se um local têm uma forte opinião ou crença contra, há muitos outras lojas por aí para prestarem serviço", comentou.

A pesquisa também revelou grandes diferenças nos pontos de vistas, dependendo da filiação política.

Por exemplo, 65% dos Democratas, mas apenas 22% dos Republicanos, afirmaram ser a favor do casamento entre pessoas do mesmo sexo em seu estado. Já 72% dos Republicanos e apenas 31% dos Democratas acreditam que oficiais de cartório com convicções religiosas devem ser isentados de emitir licenças de casamento para casais gays.

A maioria dos Democratas, 64%, afirmaram ser mais importante proteger os direitos dos homossexuais do que a liberdade religiosa quando as duas estão em conflito. Já os Republicanos têm uma opinião oposta, com 82% colocando a liberdade religiosa acima dos direitos entre casais do mesmo sexo.