Pesquisa Datafolha divulgada ontem mostra que entre 324 deputados ouvidos pelo instituto, 39% disseram que votarão a favor se o pedido de impeachment chegar ao plenário. Outros 32% afirmam que votarão contra. E quase um terço – 29% – não se posicionou. Os resultados apontam que nem oposição nem o governo teriam votos para decidir a abertura do processo do impeachment.

O Datafolha também ouviu 51 senadores e o maior grupo, 43%, votaria contra o impeachment da presidente. Já outros 37% têm intenção de votar a favor enquanto outros 20% não se posicionaram.

A pesquisa mostra ainda que 45% (146 parlamentares) defendem a renúncia do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). A Câmara é composta por 513 parlamentares, portanto, quase 1/3 do Parlamento é a favor de sua saída. Para 25%, ele deve ficar no cargo e 30% não se posicionaram.

Confrontados com a hipótese de ter de votar pela cassação de Cunha, 52% não se posicionaram. Enquanto 35% disseram que votariam a favor da cassação de Cunha, 13% declararam que votariam contra.

O levantamento foi realizado entre 19 e 28 de outubro e ouviu 63% dos parlamentares. Dos 375 entrevistados, 324 eram deputados e 51, senadores.

Bacalhau

Com a popularidade nas alturas no início do segundo ano de seu primeiro mandato, a presidente Dilma Rousseff viajava à Alemanha em 4 março de 2012 quando fez uma escala para almoçar Portugal. A petista escolheu o conceituado restaurante Cafeína, na cidade do Porto, onde comeu um prato de bacalhau gratinado com aioli, migas de grelos (uma mistura de pão e vegetais) e radicchio.

A visita presidencial causou repercussão na mídia portuguesa e o restaurante decidiu homenagear a presidente, batizando o prato que comera de “Bacalhau à Dilma”. A alteração veio em 8 de março daquele ano, propositalmente no Dia da Mulher, o que era “simbólico” segundo o proprietário do Cafeína, Vasco Mourão . “As pessoas vinham aqui e diziam: ‘quero o bacalhau da Dilma’”, lembra o gerente da casa, Filipe Pinto.

Mais de três anos e meio depois, a popularidade do nome do prato - e não a dele em si- parece ter acompanhado a da presidente, que vê hoje sua gestão reprovada por 71% dos brasileiros, de acordo com a última pesquisa do Datafolha. Depois de várias reclamações de turistas brasileiros, a casa retirou a homenagem e voltou a descrevê-lo por seus ingredientes.