O otimismo dos empresários da indústria tem crescido a olhos vistos desde que despencou, em abril, quando foram sentidos os primeiros impactos econômicos da pandemia da Covid-19. Indicadores como os de confiança, de avaliação da conjuntura atual e de expectativas para os próximos meses chegaram este mês a quase o dobro dos vistos seis meses atrás, foram bem superiores aos de setembro de 2019 e, no caso de um deles, até bateu recorde nos últimos sete anos.

O momento seria propício a que os mais descrentes em uma retomada relativamente rápida e mais consistente da economia dessem o braço a torcer, já que os efeitos da crise sanitária estariam ficando para trás. A recomendação dos analistas, contudo, é de cautela, já que os bons ventos poderiam mudar de uma hora para outra em razão de fatores como o desemprego cada vez mais elevado, o corte à metade do valor do “coronavoucher” até dezembro, reduzindo o poder de compra das pessoas, e o alto grau de incerteza quanto à própria pandemia (temor pela 2ª onda).

Sem falar na expectativa pela reforma tributária, o que inclui discussões sobre a manutenção ou não da desoneração da folha salarial em 17 setores produtivos – considerada fundamental para dar sustentabilidade à economia brasileira (em Minas, 117 mil postos estariam ameaçados). 

“Na indústria, os indicadores têm sido sem dúvida sido bem melhores do que imaginávamos”, diz a economista Daniele Muniz, da Fiemg. “Ou seja, os empresários estão com a sensação de que o pior da crise está para trás, mas cientes de que a situação econômica não é tão favorável”, completa. 

Para ela, o otimismo demonstrado pelos industriais, portanto, seria “mais de curto prazo”. “A retomada deve ser gradual”, afirma Daniele. Também contribuiria para tal cenário, segundo a economista, o fato de haver desigualdade entre setores no enfrentamento da crise, como no caso da construção civil, com grande reação, e o segmento automotiv0, que patina e prevê demissões.

Números
Divulgados ontem, dados da FGV da prévia de setembro do termômetro industrial apontam que a confiança atingiu 105,9 pontos (a nota 100 separa o pessimismo do otimismo), ante 58,2 em abril e 95,9, há um ano. Foi a maior marca no quesito desde janeiro de 2013. 

Em Minas, conforme a Fiemg, a situação é parecida (embora o limite entre otimismo e pessimismo seja 50). O ICEI aumentou no Estado 5,8 pontos em setembro (60,7 pontos) ante agosto (54,9), apontando confiança pelo segundo mês consecutivo. Indicadores de avaliação atual e de expectativas também subiram entre os empresários mineiros na relação a agosto e foram maiores que os de setembro de 2019.