O Brasil registrou ano passado 24.612 casos novos de hanseníase no Brasil, de acordo com dados preliminares divulgados nesta quarta-feira (21), pelo Ministério da Saúde. O número, embora significativamente menor do que o registrado em 2013, quando 51.900 casos haviam sido identificados, indica que o País não conseguirá alcançar a meta de erradicar a doença, considerada endêmica em território nacional, até o fim deste ano, como havia sido divulgado em 2012.

A coordenadora do Programa Nacional de Hanseníase, Rosa Castaglia, afirma que a taxa de prevalência da doença caiu 68% nos últimos dez anos, passando de 4,52 para 1,42 por 10 mil habitantes entre 2003 e 2013. Para tentar acelerar o ritmo de queda, o Ministério da Saúde lança hoje uma campanha sobre a doença. O mote é "Hanseníase, quanto antes você descobrir, mais cedo vai se curar", uma tentativa de tentar ampliar o diagnóstico precoce da doença e a divulgação de que o tratamento é gratuito e está disponível no Sistema Único de Saúde.

"É decisivo que, identificado o paciente, seja feita a investigação de pessoas próximas, contactantes", disse o ministro da Saúde, Arthur Chioro. Ele afirmou que, embora a erradicação não seja alcançada até o fim do ano, o objetivo de erradicar será mantido, mas agora, sem prazo. "Hoje, com ampliação de equipes de Saúde da Família, com Mais Médicos, temos condições de ter de fato uma outra capacidade da rede de fazer o diagnóstico precoce, identificar a doença e fazer a busca de contaminação em pessoas próximas, sobretudo familiares", disse o ministro. Ele avisou, no entanto, que talvez seja necessário aguardar um longo período até que a erradicação seja alcançada. "O período de incubação é de cinco anos", observou.

A ocorrência da hanseníase no Brasil é irregular. Embora esteja presente em todas as unidades da Federação, a doença tem grande concentração na Amazônia e Estados do Nordeste. O campeão da doença é Mato Grosso, com 9,03 casos por cada 10 mil habitantes. Em seguida vem o Maranhão, com 5,29 casos por cada 100 mil habitantes. Pará, Tocantins e Pernambuco também apresentam índices considerados muito altos.

A hanseníase é uma doença infecciosa que atinge a pele e os nervos dos braços, mãos, pernas, pés, rosto, orelhas, olhos e nariz. O tempo entre o contágio e o aparecimento dos sintomas varia de dois a cinco anos. A doença faz aparecer manchas esbranquiçadas, avermelhadas ou amarronzadas em qualquer parte do corpo e em áreas da pele. Essas manchas trazem a sensação de formigamento, diminuição da sensibilidade ao calor, ao frio e ao toque.