Fechado para visitações desde o início do ano, o Palácio da Liberdade deve abrir as portas novamente para visitações no início de agosto. Mas a exposição interativa “Palácio da Liberdade: Memórias e Histórias”, inaugurada há dois anos, não pode mais ser vista. O projeto foi encerrado pelo governo de Minas, que planeja a implementação de uma nova exposição para o espaço.


Segundo entendimento da atual gestão do Circuito Cultural Praça da Liberdade, que passou do Instituto Cultural Sérgio Magnani para o Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas gerais (Iepha-MG), o foco não deve ser os governantes. “Vamos contratar profissionais para fazer três circuitos de visitação que não vão girar em torno das figuras dos governantes, mas sim do que eles representam”, explica a presidente do Iepha, Michele Arroyo.


Além das alterações na exposição, o Palácio da Liberdade também passa por obras na sua infraestrutura para se adequar à demanda dos visitantes. Estão sendo feitas alterações no sistema de combate a incêndio, e construídos banheiros e acessos à edificação.


Apesar das alterações no prédio mais importante do Circuito, a presidente do Iepha garante que as destinações dos edifícios no entorno da Praça da Liberdade serão mantidas como o planejado anteriormente. “Está totalmente descartada a desconstrução do Circuito. O que queremos é pensar o projeto de forma definitiva, como uma política pública, fortalecê-lo como algo definitivo”, explica Michele Arroyo.


De acordo com o Iepha, as implementações desses projetos dependem do pagamento de uma dívida deixada pelo governo anterior. “As obras foram paralisadas e os pagamentos não foram feitos. Precisamos quitar cerca de R$ 4 milhões antes de reiniciar os trabalhos, o que deve acontecer nesse primeiro semestre”, conta a presidente.


Apreensão


Mas ainda existe uma certa desconfiança em torno da execução dos planos por falta da falta de informações. “Acredito nas boas intenções (do governo), mas isso tem que ficar claro. Não é destruindo o que existe que vamos construir algo significativo. Isso deixa um rastro de insatisfação. A grande questão é que eles devem deixar mais claro qual o projeto para a cultura do Estado”, argumenta o vice-presidente do Conselho Estadual de Política Cultural, Aníbal Macedo.


Ponto a ponto


Palácio da Liberdade: Está fechado para visitação por causa da realização de obras na estrutura, como instalação de banheiros. A exposição interativa está sendo revista e deve ser reaberta com três novos itinerários no início de agosto.


Rainha da Sucata: Fechado desde meados do ano passado por falta de recursos para obras. O projeto inicial de instalação do Centro de Apoio ao Visitante no local está mantido.


Palacete Dantas e Solar Narbona: Fechados desde meados do ano passado por falta de recursos para obras. Projeto inicial de instalação do Centro Cultural Oi Futuro está mantido. O governo está em negociação com a Oi para achar uma alternativa já que o valor orçado para as obras é considerado alto (cerca de R$ 40 milhões).


Prédio Ipsemg: Obras estão paralisadas ou desaceleradas. Está mantido para o local o projeto de instalação da Escola de Design da Uemg, que depende de verbas, em parceria com o governo federal.


Secretaria de Viação e Obras Públicas (Prédio Verde): Fechado desde meados do ano passado por falta de recursos para obras, vai ser a sede do Iepha, que hoje ocupa o antigo prédio da Codemig, e ainda abrigar pavimentos dedicados a usos relativos ao patrimônio cultural e abertos ao público. O projeto Cena, que estava previsto para ser instalado no local, deve ser implementado em um galpão tombado ao lado da Serraria Souza Pinto, onde o espaço seria mais adequado e as obras ficariam mais baratas.


Casa do Iepha (na rua da Bahia): Não está descartada a possibilidade de o local abrigar o Museu do Clube da Esquina e o Centro de Referência da Música. A definição depende dos rumos de um plano diretor que está sendo feito para toda a área do Palácio da Liberdade. Caso o Museu não fique no espaço, será instalado em outro prédio do Circuito Cultural Praça da Liberdade.


Biblioteca Pública Luiz de Bessa: Prédio comprometido por mau estado de conservação (infiltração na cobertura, estado precário geral).


Arquivo Público Mineiro: Prédio comprometido por mau estado de conservação (condições precárias em geral).


Museu Mineiro: Fechado desde meados do ano passado por falta de recursos para obras.


Em nota, o PSDB informou que “além do Palácio, todas as obras do Circuito Cultural Praça da Liberdade, que eram de responsabilidade do Governo, estavam em andamento até o final de dezembro do ano passado”. Segundo o partido, as obras estavam previstas e sendo pagas.


Ainda de acordo com o PSDB, “até o final da gestão passada, os investimentos para continuidade das obras estavam garantidos, compondo os recursos anunciados para a área cultural”. A nota ainda afirma que “o orçamento da Secretaria encaminhado pela gestão 2011-2014 à Assembleia Legislativa, para o exercício de 2015, garantia a continuidade de todos os programas e projetos e o funcionamento de todo o Sistema Estadual de Cultura”.


Polêmica sobre exposição do Palácio permanece

 

Polêmica sobre exposição do Palácio permanece

INTERROGAÇÃO – Artista levantou polêmica sobre obra que teria sido desmontada. Governo nega danos, mas não mostra (Foto: Gil Leonardi/Imprensa MG)


As descaracterizações na exposição interativa “Palácio da Liberdade: Memórias e Histórias” ganharam repercussão nas redes sociais com a denúncia do curador e diretor-artístico Marcello Dantas, responsável por organizar o material que estava em exibição no Palácio até o ano passado.


Segundo Dantas, nenhuma informação oficial sobre as eventuais mudanças na obra chegaram a seu conhecimento. O que ele ficou sabendo, por meio de um funcionário do Estado que trabalha no Palácio, é que até uma mesa, instalada para repassar o processo de restauração do local, teria sido serrada ao meio.


“Não sei por qual motivo isso teria ocorrido, mas fiquei espantado. Chegaram a argumentar que o local estaria sofrendo com uma infestação de cupins, mas isso já teria sido resolvido, por isso não acredito que essa seja a história”, afirma Dantas. A versão do cupim também foi dita pela Secretaria de Estado de Cultura ao Hoje em Dia para justificar problemas nas instalações do palácio.


De acordo com informações da assessoria de imprensa da pasta, alguns espaços internos e um piano de cauda foram atingidos. Questionado sobre a situação da mesa, o governo respondeu que a informação de que ela teria sido serrada não procedia, e garantiu que a mesma estaria intacta. Todas as informações acima foram publicadas em reportagem no Hoje em Dia na edição do dia 29 de abril.


sem acesso


A assessoria de comunicação do governo do Estado nega os danos, mas não mostra o material que segundo eles está intacto. Há vários dias, a equipe do jornal tem tentado conseguir autorização para registrar o estado dos móveis e equipamentos do Palácio da Liberdade. Nos últimos dois dias, o jornal reiterou os pedidos e formalizou a solicitação de acesso por todos os meios oficiais. Entretanto, o pedido se manteve negado, sob a justificativa inicial de que o prédio não estaria aberto à visitação e que seria usado pelo governador para despachos.


Após insistência da equipe, o acesso chegou a ser prometido, mas a promessa acabou não sendo cumprida. Durante todo o dia dessa quinta-feira (7) a reportagem insistiu e procurou os órgãos oficiais, mas sobre esta solicitação sequer obteve resposta.


O Hoje em Dia teve liberado apenas o acesso aos prédios do Arquivo Público Mineiro e Biblioteca Pública Luiz de Bessa, cujas estruturas estariam comprometidas e em mau estado de conservação, responsabilidade do governo anterior.