O varejo de automóveis e comerciais leves registrou elevação de 6,42% em agosto, no comparativo com julho. No total foram licenciados 173.544 unidades, contra 163 mil do mês anterior. Os números são do boletim da Federação Nacional da Distribuição de Veículos (Fenabrave).

No acumulado do ano, o rombo ainda é de 35,75%. São 1,1 milhão de emplacamentos, de janeiro a agosto, contra 1,7 milhão no mesmo período de 2019. Mesmo assim, o setor representa a maior queda da indústria automotiva. O nicho de transporte, que engloba caminhões e ônibus, anota retração de 19,52%, enquanto o segmento de duas rodas recuou 25,03%.

Covid-19

No entanto, a própria pandemia do Covid-19, que obrigou o fechamento das revendas e derrubou as vendas de carros novos, tem sido o estimulante para as vendas de carros de passeio, como aponta o presidente da Fenabrave, Alarico Assumpção Junior. 

“A manutenção da taxa Selic, em níveis baixos, assim como a pandemia, têm estimulado a compra de carros para o transporte individual das pessoas. Além disso, os financiamentos ficaram mais acessíveis. Atualmente, o índice de aprovação cadastral é de quase sete para cada 10 avaliações enviadas aos bancos”, explica Assumpção Júnior.

Mas o desejo de comprar um carro para evitar contato com outras pessoas em transporte público não é uma estratégia apenas do consumidor brasileiro. De acordo com uma pesquisa publicada pela consultoria francesa Capgemini, que teve 11 mil participantes em 11 países, 35% dos entrevistados querem comprar um carro ainda em 2020. 

Na China, onde o vírus surgiu, o índice é de 61%. Por faixa etária, 85% dos jovens entre 18 e 24 anos querem adquirir um automóvel. Já na faixa entre 25 e 35 anos, o percentual é 79%. 

Participação

O desempenho entre as marcas, considerando a queda de volume do ano, não afetou drasticamente a participação de cada fabricante, mas tem mostrado reações de alguns emblemas, como a Volkswagen. A alemã se aproximou bastante da líder General Motors. A GM mantém liderança com 17,39% do bolo e a VW está colada nela com 17,26%. Há um ano a diferença entre elas era de 1,3 ponto percentual. 

A Fiat também ganhou participação e registra 15,02% (alta de 1,4% sobre o acumulado de 2019). Já a Hyundai se consolidou na quarta posição, com 8,58% e a Ford está praticamente empatada com a Toyota. São 7,38% para a Oval Azul contra 7,31% da japonesa. Renault também representa ameaça para a marca de Detroit, com 7,12%. Em números, o que separa a Ford dos franceses são exatas 2.878 unidades, segundo a Fenabrave. Jeep e Nissan fecham o Top 10, com 5,33% para a ítalo-americana e 3,42% para a japonesa. 

Mais vendidos

Depois de ter sido superado pelo Volkswagen T-Cross, em julho, o Onix retomou seu trono. Em agosto foram 10.609 unidades licenciadas, o que elevou seu volume em 2020 para 80.587 carros emplacados. 

O segundo modelo mais vendido foi a Fiat Strada, que estreou sua nova geração em junho. A picape italiana anotou 8.690 emplacamentos, volume que deixou o HB20 na terceira colocação, com 8.489 carros entregues. 

 

O T-Cross não conseguiu repetir o mesmo desempenho, mas foi o quinto modelo em emplacamentos, com 6.455 unidades. Mesmo assim foi o suficiente para manter o jipinho alemão na liderança entre os utilitários-esportivos. 

No acumulado do ano, o T-Cross anota 37.260 licenciamentos, contra 30.655 do Jeep Renegade e 27.642 unidades do Compass.