A polêmica sobre a volta às aulas presenciais na capital, suspensas desde março em razão da pandemia da Covid-19, subiu aos palanques dos candidatos à prefeitura. Levantamento feito pelo Hoje em Dia com 14 dos 15 postulantes oficiais, ontem – apenas o empresário Marcelo Souza e Silva (Patriota) não respondeu –, apontou equilíbrio entre as opiniões: sete são a favor do retorno; seis, contra, incluindo o prefeito e candidato à reeleição, Alexandre Kalil (PSD); e um optou pelo “talvez”.

Entre os defensores da retomada, desde que seguindo protocolos de segurança sanitária como alguns dos já definidos pela própria PBH (antecipados com exclusividade pelo portal Hoje em Dia, ontem), a maioria é de partidos ligados ao centro e à direita – além, claro, de serem integrantes da oposição mais acirrada a Kalil.

Boa parte deles cita diretamente o chefe do Executivo ao comentar o assunto, como Fabiano Cazeca, do Pros. “O atual prefeito disse recentemente que só voltaria quando tivesse a vacina. Mas não temos a menor garantia de que esta vacina chegue tão cedo. Eu defendo que a prefeitura ao menos permita que as escolas particulares retomem suas aulas”, afirma o candidato. 

Outros partem para críticas mais ácidas não só a Kalil, mas também ao movimento sindical de parte dos servidores municipais. “Os sindicatos de esquerda mandam na PBH. Precisamos de um basta neste comportamento. Belo Horizonte não permite que escolas privadas retomem as atividades e não ofereceu um ensino remoto aos alunos das unidades municipais porque os sindicatos não deixam. Tudo porque o prefeito não tem coragem de enfrentá-los”, destaca Lafayette Andrada (Republicanos).

“Como disse Viviane Sena, ‘em uma crise, as crianças devem ser as primeiras a serem salvas’. Em Belo Horizonte fizemos justamente ao contrário”, pondera João Vitor Xavier (Cidadania).

Já entre os candidatos contrários ao retorno, todos de legendas à esquerda no espectro político – com exceção do próprio prefeito –, a principal alegação é de que reabrir as escolas ampliaria a insegurança de alunos, pais, colaboradores e do resto da sociedade. Ainda mais sem que haja uma vacina para imunizar a população.
“A sala de aula é um ambiente de aglutinação, só não sabe isso quem não convive dentro de uma. As crianças têm contato com avós, tios, pais e pessoas que tenham comorbidades, por exemplo. Então, é fora de propósito. Se concretizada, a proposta poderia aumentar o contágio em BH”, diz Wadson Ribeiro (PCdoB). 

“Só um amplo debate permitirá desenhar quando, em quais condições e quem deve ser priorizado em um processo complexo de retomada das atividades presenciais”, ressalta Áurea Carolina (PSOL). ”Em 2020, não há condição de volta às aulas”, finaliza o petista Nilmário Miranda.