Em frente à Igreja de Padre Eustáquio, na esquina com a rua Cesário Alvim, fica um dos pontos mais tradicionais e frequentados do bairro, entre as seis e as 21 horas. Com 72 anos de atividades, a Padaria Padre Eustáquio tem trabalhado para acompanhar de perto as tendências mundiais para o setor de panificação e confeitaria.

O empresário e nutricionista Arnaldo Júnior atua no segmento há 25 anos. Há 12, ele ingressou na sociedade com o neto do fundador da Padaria. Na época, a empresa tinha 16 funcionários. Hoje são 70. Com um modelo de gestão profissional e RH terceirizado, o estabelecimento tem uma linha de produção própria, com 300 itens de panificação, salgados e confeitaria. “Acabamos de contratar duas nutricionistas. Uma acompanha a produção, que começa às 5 horas da manhã, para garantir que nossos alimentos sejam saudáveis e com qualidade superior. A outra fica na loja, em contato direto com os clientes”, comentou.

Em 2017, a Padaria registrou 25% de crescimento, em comparação com o ano anterior. Para o empresário, o bom resultado indica que a empresa está no caminho certo. “Costumamos reinvestir entre 40% e 50% do faturamento anual em melhorias”, comentou. As últimas aquisições foram uma câmara fria que ainda é rara na concorrência e a máquina de gelo que garante aos consumidores a bebida escolhida na temperatura certa. 

Multifuncionais 
“Vai longe o tempo em que as padarias vendiam apenas pães e leite, naqueles horários habituais”, afirma o presidente da Associação Mineira da Indústria da Panificação, Vinícius Dantas. A tendência mundial do setor, apresentada em eventos nacionais e internacionais, é de lojas que estão se tornando multifuncionais, com oferta variada de serviços e produtos, para atrair e fidelizar os clientes. No Estado há cerca de 6 mil estabelecimentos do gênero.

As padarias passaram a oferecer maior conveniência para os clientes que, não raras vezes, solicitam essa variedade de opções. Assim a loja de vizinhança está ficando mais versátil e atrativa para o consumidor, em diversos momentos do dia”, ressaltou. O dirigente destacou, ainda, que essa mudança de perfil das padarias é parte da estratégia para manter o negócio competitivo no cenário de crise econômica e vender mais para o mesmo cliente. Depois do bom resultado do setor em 2017, a expectativa para este ano é ainda melhor.

Padaria Gourmet
Em 1999, o empresário Joel da Silva deixou a pequena cidade de Brás Pires, na Zona da Mata, para iniciar um novo capítulo da vida de sua família em Belo Horizonte, no setor de panificação e confeitaria. “Eu trabalhava com agropecuária, mas resolvi ‘tentar a sorte’ motivado pelas experiências bem- sucedidas de parentes da minha esposa”, disse.

Ele assumiu a Padaria Portugal, em 2005. O estabelecimento fica na avenida de mesmo nome, na altura do bairro Santa Amélia. “Era uma padaria bem tradicional. Mas desde o início, eu investi em melhorias que foram percebidas pelos clientes do bairro e pelas pessoas que circulam pela região. O bairro melhorou com a construção da Cidade Administrativa e eu constatei que tinha que fazer uma reforma grande para acompanhar essa oportunidade”, lembrou.

O conceito de padaria gourmet foi aplicado logo após a reinauguração, com novos serviços de café colonial e restaurante. Assim, independente do horário do dia, o consumidor que chegar na porta da Padaria Portugal tem uma opção sob medida para a sua necessidade. “Hoje temos café da manhã, self service de almoço com saladas, carnes e massas e, ainda, happy hour com caldos. A parte de confeitaria também é bem estruturada e aceitamos encomendas de tortas, salgados e doces”, disse. O mix tem quase 500 produtos, com fabricação própria.

Com isso, o faturamento cresceu 12% em 2017. Para 2018, Joel da Silva quer aumentar esse percentual. A empresa tem 74 funcionários e fica aberta das 6 às 21h50.

Faturamento

Após quatro anos consecutivos de queda, o fluxo de consumidores nas padarias retomou uma trajetória de crescimento em 2017. Com isso, o setor registrou aumento de 3,2% no faturamento, no comparativo com o ano anterior, com R$ 90,3 bilhões no período. 

Essas são algumas das boas notícias do estudo de mercado realizado pela Associação Brasileira da Indústria da Panificação e Confeitaria (Abip), em parceria com o Instituto Tecnológico de Panificação e Confeitaria (ITPC) com cerca de 400 empresários do setor, de 19 estados.

“O faturamento percentual acima da inflação, a retomada de fluxo dos clientes e o aumento do tíquete médio foram determinantes para esse resultado”, afirmou o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Panificação e Confeitaria (Abip) e do Sindicato da Indústria da Panificação de Minas Gerais (SIP), José Batista de Oliveira.

Com isso, a expectativa do dirigente para 2018 é positiva. “Este ano não será diferente de 2017. Projetamos mais crescimento e competitividade”, enfatizou.

Números 
A pesquisa constatou que 5,4% das padarias brasileiras continuaram apostando na produção própria em 2017. Nas empresas ouvidas, a venda de produção própria representou 64% do volume de faturamento, ou R$ 57,79 bilhões, enquanto os itens de revenda foram responsáveis por 36%, equivalente a R$ 32,5 bilhões. Esses números estão próximos dos registrados em 2016.

Em 2017, o fluxo de clientes aumentou 1,36%, depois de anos de queda. Das empresas ouvidas, 57% delas tiveram aumento no número de clientes e 65% também registraram crescimento no tíquete médio.
Ainda conforme o estudo, o número médio de funcionários por padaria aumentou. Em 2017, a média dos estabelecimentos era de 12 colaboradores.