Uma das grandes sacadas da Volkswagen na segunda metade dos anos 2000 foi lançar a versão Titan do Gol (G4). Tratava-se de uma opção despojada, que pegava emprestado a robustez do caminhão pesado, que levava a mesma alcunha.

O Gol Titan era uma opção para o consumidor que buscava um carro bruto para uso fora do asfalto. Tinha suspensão elevada, rodas de aço, para-choques sem pintura e molduras nos para-lamas. Era a opção para quem buscava um Volkswagen barato, sem o mesmo garbo do recém-lançado Gol G5.

Agora, a marca alemã recorre a uma estratégia semelhante para impulsionar o T-Cross. O SUV fechou o ano na liderança do mercado em 2020 e este ano viu seu desempenho cair quatro posições no ranking de emplacamentos no segmento SUV, segundo a Fenabrave.

Para se ter uma ideia, o T-Cross vendeu 25 mil unidades de janeiro a maio. O SUV está abaixo de Chevrolet Tracker, Jeep Compass, Hyundai Creta e Jeep Renegade. A diferença entre o Volks e o vice-líder é de menos de dois mil carros. Assim, receita pode dar aquela injeção de ânimo para o jipinho subir na tabela.

E o que a VW fez foi converter a versão PCD, Sense, como uma opção para público geral. Ou seja, uma manobra que não demandou desenvolvimento, uma vez que opção já era disponível. Com preço sugerido de R$ 92.990 e transmissão automática de seis marchas, a versão é mais barata que a opção manual, que parte de R$ 104 mil. A caixa é combinada com motor TSI 200 1.0 turbo de 128 cv e 25 kgfm de torque.

Mas para chegar a esse preço “generoso”, a Volks fez o que sabe fazer melhor: depenou o carro. Ela removeu as rodas de liga leve, assim como o rack de teto cromado, que deixou o visual mais barato. No entanto, manteve os faróis de neblina e o DRL em LED. 

Por dentro o SUV tem acabamento simplificado no painel, volante sem acabamento em couro. Até mesmo o suporte de celular foi eliminado. Mesmo assim, o T-Cross Sense ainda conta com multimídia, ar-condicionado analógico, vidros elétricos, seis airbags, assistente de partida em rampa, assim como controles de tração e estabilidade.

No frigir dos ovos, a Volkswagen tirou toda gordura do T-Cross para deixá-lo mais competitivo. Resta saber se o consumidor vai topar levar um SUV basicão para casa. Afinal, quem busca um jipinho paga não apenas pelo veículo, mas pelo status que ele agrega. É bem diferente daquele comprador que adquiria um Golzinho à prova de tudo, para colocar na labuta.