Nesta quinta-feira, (3), o papa Francisco disse que os incêndios na Amazônia são um problema global e devem ser enfrentados por todos. Ele defendeu que o Sínodo dos Bispos sobre a região deve propor soluções "antes que seja tarde demais". E realçou que isso será o centro do debate.

O pontífice participou nesta quinta-feira de uma audiência no Capítulo Geral da União Romana da Ordem de Santa Úrsula e se referiu à situação da Amazônia ao fazer uma análise sobre a situação mundial, "cada vez mais interconectada e habitada por povos que fazem parte de uma comunidade global".

Cuidado

"Estamos todos mais próximos dos grandes desafios a enfrentar. Hoje, ninguém pode dizer 'Isso não me afeta'", completou Francisco. Durante uma apresentação do Sínodo à imprensa nesta quinta, o cardeal d. Cláudio Hummes foi na mesma linha. E citou por várias vezes o documento Laudato Si do papa, que destaca a necessidade de cuidar da Casa Comum.

Moema Miranda, antropóloga e assessora da Rede Eclesial Pan-Amazônica (Repam), também destaca que a questão ambiental, além da religiosa, deve dominar os debates. "Francisco vai unir a leitura de fé da Igreja, com a sabedoria dos povos ancestrais e os avanços científicos. O papa diz que não devemos ser apenas amigos dos indígenas, mas devemos nos deixar evangelizar por eles. Isso é menos progressista do que defender a ordenação de mulheres? Acho que não."


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