Ir a Guarapari, no Espírito Santo, vai custar até R$ 122,10 de pedágio, conforme previsão da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). O valor diz respeito às 11 praças de pedágio que serão implantadas ao longo da BR-262, que será concedida à iniciativa privada. Outros três postos serão instalados na BR-381, sentido Governador Valadares, no Vale do Aço. Se o projeto for bem sucedido, 673,2 quilômetros (km) de rodovia serão geridos por quem vencer o certame.

São esperados R$ 9,1 bilhões em investimentos e R$ 5,6 bilhões em custos operacionais para os 30 anos de concessão. Entre as principais obras estão previstas a duplicação de 595,4 km das rodovias, 42,4 km de faixas adicionais e a construção de 54 passarelas para a sociedade. 

A proposta da tarifa básica de pedágio, por praça, é de R$ 8,54 para pista simples e de R$ 11,10 para pista dupla. A ANTT não informou quais dos 11 estarão em pista dupla ou simples. 

Localização

Sabe-se, porém, que, na BR-381, haverá praças em Caeté, João Monlevade, Itabira, Belo Oriente e Piriquito. Na BR-262, as guaritas serão em Manhuaçu, ainda em Minas Gerais, e em Martins Soares, Ibatiba, Venda Nova dos Imigrantes e Viana, todas no Espírito Santo.

O cronograma também não foi informado, assim como as datas das audiências públicas, em que entidades e sociedade civil poderão dar contribuições sobre o leilão. Sabe-se, porém, que em Minas Gerais haverá sessões presenciais em Governador Valadares e Belo Horizonte. O período para envio de contribuições, que pode ser feito pelo site, vai até as 18h do dia 2 de setembro.

Contestações

O movimento Nova 381, da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) se prepara para fazer sugestões ao processo. Uma delas, conforme o coordenador-geral da entidade, Luciano Araújo, é a exigência de expertise em obras e manutenção de estradas para a vencedora do certame, como era no passado. 

“Temos uma experiência negativa e não podemos esquecê-la. Quando foi feita a primeira licitação da BR-381, uma empresa ganhou seis trechos e não fez nada. Devolveu os trechos ao Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT). Contratar uma empresa que não tenha capacidade de construção é um risco absurdo. E nós temos que trabalhar para que isso não aconteça”, diz Araújo. 

Ele contesta, ainda, o valor do pedágio. “Para quem vai a passeio uma vez por ano é barato. Mas para quem trabalha na região ou freta carga de Minas para o Espírito Santo, por exemplo, o custo é alto. Nós vamos comparecer às audiências públicas e vamos manifestar essas preocupações”, pondera.

Já o presidente do Sindicato da Indústria da Construção Pesada no Estado de Minas Gerais (Sicepot), Emir Cadar Filho, discorda da exigência de atestado de qualificação técnica para operação de rodovias. De acordo com ele, a mudança nas regras permite que novas empresas entrem no mercado. 

Leia mais sobre rodovias pedagiadas nas páginas 12 e 13

 

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