Em meio à crise econômica, que derrubou o consumo dos brasileiros, os reajustes dos condomínios dos shoppings da Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH) pipocam acima da inflação, agindo como empecilho para que os lojistas aumentem o quadro de funcionários e, até mesmo, permaneçam nos malls.

Conforme o levantamento “Indicador de Custos Condominiais de Shopping Center”, realizado pela Associação dos Lojistas de Shopping Centers de Minas Gerais (AloShopping), entre julho de 2018 e o mesmo mês de 2019, contra igual período anterior, o valor da mensalidade saltou até 15,73%, enquanto o IPCA fechou em alta de 3,22%. No estudo, 14 centros de compras foram analisados.

A maior alta foi registrada no BH Shopping, cujo condomínio do metro quadrado é de R$ 88,28. O Minas Shopping aparece em segundo lugar, com 11,82% de reajuste e metro quadrado de R$ 73,58. Em terceiro vem o Shopping Del Rey, com elevação de 9,98% na taxa de manutenção e cobrando R$ 123,93 por m2, seguido pelo Partage, com 9,86% de alta e manutenção de R$ 109,08 por m2, em Betim. Todos os índices são nominais, ou seja, têm a inflação descontada.

De acordo com o superintendente da AloShopping, Alexandre Dolabella França, os reajustes acima do IPCA aumentam substancialmente os custos dos lojistas, praticamente inviabilizando a permanência das marcas nos complexos de compras. “Nem sempre compensa instalar em shopping, já que a relação custo x faturamento está muito alta”, pondera o representante dos lojistas.

Ele explica que o ideal para manter um estabelecimento aberto em complexos comerciais é que a soma do aluguel, condomínio e fundo de promoção não ultrapassasse 10% do faturamento. Hoje, a média está em 18%. E alguns estabelecimentos pagam até 30%. 

“É muito difícil manter as portas abertas neste cenário. O mais interessante é que os grupos que administram os shoppings têm os balanços sempre positivos”, critica. 

Na contramão
Embora a maioria dos estabelecimentos tenha reajustado a taxa de manutenção acima dos 3,22% do IPCA, cinco malls andaram na contramão. Shopping Cidade e Diamond seguraram a margem e não aumentaram os custos. 

Já o Shopping Sete Lagoas, o Anchieta e o Itau Power Shopping apresentaram queda nos condomínios. As reduções nominais foram de 9,41%, 6,38% e 0,17%, respectivamente.

SAIBA MAIS:

Por meio do departamento de Marketing, o Shopping Partage, em Betim, informou que não concorda com os números da pesquisa da AloShopping e ressaltou que “a cobrança do condomínio não é linear em virtude de despesas que são reflexo do consumo, como água e energia por exemplo. Ainda há outros custos que não acompanham a inflação”. 

Na mesma linha de raciocínio, o ItaúPower Shopping afirmou que “os dados atribuídos aos valores praticados pelo ItaúPower não são compatíveis, sendo o valor médio do condomínio R$ 92/m², não R$ 118,48/m², como indicado na pesquisa”. 

Já o Minas Shopping afirmou que “o Minas Shopping é o empreendimento com o menor custo condominial entre os shoppings pesquisados, fruto de uma gestão austera que visa proporcionar ao lojista uma relação custo x benefício justa e competitiva”, diz texto enviado pela assessoria de imprensa.
Pátio Savassi, Diamond e BH disseram que são representados pela Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce), que foi procurada, mas não se pronunciou. Os demais estabelecimentos também foram procurados, mas não se posicionaram.

Atualização: às 11h50 desta quarta-feira, a Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce) se pronunciou. Em nota, a assessoria de imprensa da entidade afirmou que "os custos administrativos de cada shopping variam levando em consideração os seguintes grupos de despesa: departamento administrativo, vigilância e brigada, limpeza, manutenção, energia elétrica, gastos gerais, taxa de administração, investimento em infraestrutura, água, esgoto e gás. Portando, os custos operacionais que impactam o setor são medidos diante da particularidade dos empreendimentos".