Quando a Peugeot lançou a primeira geração do 208, em março 2013, o carro representou grande salto qualitativo, comparado ao remendo que era a nova leitura do 207. É preciso reconhecer que o 208 foi um carro injustiçado, pois era o compacto mais moderno do mercado, ao lado do Fiesta, mas não teve vida gloriosa no mercado brasileiro. Agora, a Peugeot apresenta a nova geração, que deveria ser novamente revolucionária. Mas não foi.

 

Isso porque a revolução prometida pela versão elétrica e-GT ainda não tem data para estrear. Ela apresentou o carro, mas não o lançou. Trouxe apenas as versões equipadas com motor 1.6 de 118 cv, o mesmo que já equipava o 206 no início do milênio. 

O novo 208 não tem mais o moderninho 1.2 de 90 cv, que havia no antecessor. E nem mesmo o espevitado THP 1.6 de 173 cv que já equipou a geração passada e hoje está disponível no 2008. E para piorar a Peugeot não quis saber de trazer para o Brasil o novo 1.2 turbo de 130 cv.

Mas ainda resta a versão Griffe, topo de linha com um pacote invejável de assistências a condução, o moderno quadro de instrumentos i-Cockpit 3D, faróis Full LED com desenho das garras do felino, que deixam o carro realmente lindo. Mas nossa primeira volta à bordo do 208 foi na versão Active Pack. A segunda na escala de preços, oferecido por R$ 82.490. 

Em tese, essa versão oferece os mesmos conteúdos da versão básica (Active 1.6), que inclui rodas aro 16, luz diurna em LED (DRL), grade com detalhes cromados, quatro airbags, piloto automático, vidros e travas elétricas, multimídia de sete polegadas com Apple CarPlay e Android Auto, duas portas USB e controles de som no volante. Mas adiciona teto solar panorâmico, ar-condicionado digital (controlado pelo multimídia) e câmera de ré.

Contato

Ao volante, a sensação é de andar no carro de 2013. O quadro de instrumentos analógico não tem o brilho do i-Cockpit 3D e os faróis convencionais não têm o mesmo charme das “garras luminosas”, assim como as belas rodas diamantadas, que figuram a partir da versão Allure (R$ 89.490). 

O layout interno é bonito, na linha do 3008, com teclas de instrumentos cromadas, mas falta o capricho do SUV. Os materiais são simples e a montagem está longe de ser a melhor da praça. Mas precisamos ser justos: nenhum hatch compacto tem acabamento refinado. O máximo de refinamento que se encontra são bancos revestidos em couro. No caso da Active Pack, são tiras de couro combinadas com tecidos.

O destaque desta versão fica por conta do teto solar. Mas ele é fixo, como no 2008, e a cobertura tem acionamento manual. Esticar o braço para levar o revestimento até o fundo e puxar de volta não um dos manuseios mais práticos. 

Por outro lado, a posição de dirigir é ótima. O 208 acomoda bem o motorista. Outro ponto interessante é que o multimídia é direcionado para o motorista, o que facilita a leitura do GPS, assim como acesso às aplicações dos telefones conectados. No entanto, a visão tende a ficar ofuscada, principalmente pela manhã e ao cair da tarde, quando o sol invade pela janela e compromete a visibilidade do monitor. 

O motor

A unidade 1.6 de 118 cv está no mercado há muitos anos. É um motor que oferece comportamento satisfatório para um compacto. Ele é combinado com transmissão automática de seis marchas, que tem trilho dentado, como é comum nos modelos da marca. Trata-se de um motor que não entrega performance e nem a eficiência de uma unidade turbo 1.0 que seus rivais como Polo, Onix e HB20 ofertam. 

A suspensão é firme e transmite todas as imperfeições do piso para o interior. Resta saber como ela irá se comportar a longo prazo, uma vez que a fragilidade da suspensão sempre foi uma reclamação dos consumidores. 

Palavra final

O novo 208 é um carro lindo, mas não foge ao trivial. A ausência de um motor mais eficiente para equipar as versões mais sofisticadas e o elétrico e-GT, que até agora é cabeça de bacalhau, impactou na recepção do carro. 

Sobre a versão Active Pack em si, ela se comporta com um compacto convencional. O teto solar tem seu charme, mas seria mais interessante oferecer algum tipo de assistente de condução como frenagem automática de emergência ou o monitor de faixa de rodagem, que são itens bem mais funcionais que uma bolha de vidro que não se abre. 

Além disso, o preço é um complicador e fator decisivo de compra, ainda mais num segmento tão concorrido como o de hatches compactos. Por R$ 82.500, o consumidor leva para casa as versões topo de linha de Onix e HB20, ambos com suas opções de assistência e motores 1.0 turbo. 

Nessa mesma faixa, é possível levar o Polo Comfortline, com seu nervoso TSI200 de 128 cv. E se olharmos para um futuro próximo, o Argo ganhará seu motorzinho turbo de 130 cv. E nessa faixa, o 208 passa a concorrer com as versões de entrada dos utilitários compactos, que atualmente têm muito mais apelo emocional que um hatch. 

Fato é que apenas ser bonito não é garantia de vendas. É preciso ter preço, acima de tudo.