O governador Fernando Pimentel (PT) evitou falar sobre a situação do deputado Miguel Corrêa (PT), candidato ao Senado, que está sendo investigado pelo Ministério Público Eleitoral de Minas Gerais sobre supostos pagamentos de propaganda ilegal em redes sociais. O deputado nega os pagamentos irregulares.

Durante evento com reitores de universidades federais e estaduais do Estado, Pimentel afirmou que desconhece o motivo da ausência de Miguel Corrêa no comício realizado nessa terça (28), na capital, e que contou com a presença do candidato à vice-presidência da República Fernando Haddad (PT) e com a outra candidata ao Senado da chapa, a ex-presidente Dilma Rousseff. 

O governador optou por não se aprofundar na questão de Miguel, condicionando qualquer decisão sobre a candidatura do deputado ao partido. “Não sei porque ele não foi, mas eu acho que está se explicando. Parece que tem uma entrevista grande postada por ele, que dá explicações. Agora eu não posso mais me envolver nisso. Quem vai definir o que fazer é o partido”, completou.

Já o deputado federal Odair Cunha (PT) adotou um tom mais conciliador, afirmando que não vê conduta criminosa de Corrêa. “O deputado Miguel Corrêa tem se posicionado, prestado as informações devidas e necessárias. É um tema que interessa a ele e ele vai responder as acusações. O que me parece é que não há nenhum crime. Isso só o tempo vai dizer. O que os mineiros estão interessados é como nós vamos resolver os problemas do Estado, como a gente vai projetar um futuro melhor e como vamos projetar um futuro melhor para Minas Gerais, esse é o centro do debate”.

Futuro da candidatura 

Em relação a uma possível desistência de Miguel Corrêa à corrida por uma vaga no Senado, Odair afirmou que não crê em tal possibilidade, mas não descarta uma mudança na composição da chapa, caso o deputado se retire da disputa. 

“Não creio, não vejo razão para isso (retirar a candidatura). Mas é um tema dele. Sempre há a possibilidade de entendimento dentro do PT e fora do PT. A candidatura do Miguel está colocada, compete a ele responder por ela e levar adiante”.

Entenda o caso

O deputado Miguel Corrêa é investigado por suposta relação com  um esquema de pagamento de influenciadores em redes sociais para fazer campanha de candidatos petistas nas eleições de 2018. A agência que teria feito a negociação com os influenciadores teria sido contratada por uma empresa ligada a um dos assessores do político, que é candidato ao Senado em Minas pelo PT.

O caso ganhou repercussão após uma denúncia da influenciadora digital Paula Holanda. Em seu Twitter, ela disse que foi procurada por uma representante de uma agência de marketing digital que a convidou para participar de ação "de militância política para a esquerda" e não de cunho partidário.  Ela aceitou participar, mas disse que, quando se deu conta de que a ação era partidária, desistiu. Os influenciadores teriam recebido a promessa de pagamento de R$ 1,5 mil. A prática de posts pagos em redes sociais é ilegal e pode configurar propaganda irregular e até caixa 2.

Por meio de nota, o deputado Miguel Corrêa negou as acusações de supostos pagamentos ilegais a influencers. Confira a nota enviada à imprensa:

"Miguel sempre teve sua vida pública pautada na legalidade, seu histórico político prova isto. Nos últimos anos, tem despontado como referência na pauta da tecnologia, inovação e geração de empregos para a nova geração de jovens empreendedores, mulheres e pessoas que nunca tiveram condições de capilarizar suas ideias em grandes negócios. Esta foi sua pauta como professor universitário, empresário, político e secretário de estado. Além disto trabalhou diretamente com o desenvolvimento de startups, deste trabalho surgiram diversos aplicativos dentre eles o Follow, app do qual é um dos fundadores.

Em alguns trabalhos Follow e Be connected apresentaram para clientes, análises de monitoramentos de redes de perfis reais de GRANDES INFLUENCERS (perfis com grande alcance) para apontar comportamento e análise deste novo ambiente de debate democrático, de onde nasceram movimentos de unificação de conteúdo. Vale ressaltar que para realização de tal ação NUNCA existiu o pagamento de qualquer tipo de valor a estes perfis de grande influência".