PM de Minas apura conduta de cabo que denunciou pedido de propina por vacina

Rosiane Cunha
rmcunha@hojeemdia.com.br
01/07/2021 às 21:46.
Atualizado em 05/12/2021 às 05:19
 (Pedro França/Agência Senado   )

(Pedro França/Agência Senado )

A Polícia Militar de Minas Gerais instaurou uma investigação preliminar para apurar se a conduta do cabo Luiz Paulo Dominguetti Pereira - que se apresentou como representante da Davati Medical Supply e diz ter recebido um pedido de propina  por doses de vacina contra a Covid-19- fere o código de ética e disciplina e o estatuto da corporação.

"A Lei 14310/2002, que dispõe sobre o Código de Ética e Disciplina dos Militares do Estado de Minas Gerais, considera como transgressão disciplinar o militar da ativa que participe de firma comercial ou de empresa industrial de qualquer natureza, ou nelas exerça função ou emprego remunerado", disse a PM em nota.

A polícia confirmou também que, atualmente, Dominguetti está lotado no batalhão de Alfenas, no Sul do Estado. Antes, de 7 de agosto de 2019  a 5 de novembro de 2020, ele trabalhou no gabinete militar do governo do Estado, mas foi afastado da função por não corresponder ao perfil necessário de atuação no órgão. "Ele desempenhou a função de segurança das instalações prediais. Seu afastamento foi recomendado pela atual chefia do Gabinete Militar, por não corresponder ao perfil necessário de atuação no referido órgão".

A denúncia do representante da Davati Medical Supply, Luiz Paulo Dominguetti Pereira, de que recebeu pedido de propina de US$ 1 por dose, em troca de assinar contrato de venda de vacinas AstraZeneca com o Ministério da Saúde, foi confirmada à CPI nesta quinta-feira (1º).

Dominguetti afirmou ainda que parlamentares procuraram o CEO da empresa no Brasil, Cristiano Alberto Carvalho, para intermediar a compra de vacinas. Ele reproduziu até mesmo um áudio do deputado Luis Miranda (DEM-DF) sobre possível intermediação em negociação, mas não pode confirmar que se tratava da aquisição do imunizante.

O pedido de propina, conforme denúncia feita inicialmente ao jornal Folha de S. Paulo, teria sido feito pelo ex-diretor de Logística do ministério, Roberto Ferreira Dias, exonerado nessa quarta (30), após desgaste com suspeitas de envolvimento em irregularidades com a aquisição de vacinas pelo órgão. 

A Davati ofereceu 400 milhões de doses a um preço inicial de US$ 3,50, segundo Dominguetti. No desenrolar da conversa, Dias teria feio o pedido de majoração do preço, com o acréscimo de US$ 1 a dose.

  

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