A Polícia Civil e o Ministério Público deflagaram, na manhã desta quarta-feira (28), a operação “Aluga-se”, que investiga denúncias de desvios de recursos públicos no programa Bolsa Moradia, de Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Segundo a polícia, estima-se que os desvios sejam superiores a R$ 4 milhões.

Foram cumpridos 31 mandados de busca e apreensão e quatro mandados de prisão temporária nos municípios de Contagem, Belo Horizonte, Oliveira, Baldim, Jaboticatubas, Lagoa Santa e Ribeirão das Neves. Entre os endereços está a Câmara de Contagem.

Conforme o Ministério Público, são alvos da operação um ex-diretor do programa Bolsa Moradia de Contagem, um vereador (ex secretário municipal) de Contagem, um secretário municipal da administração municipal, além de outros agentes públicos e políticos, servidores públicos, pessoas e empresas.A Justiça determinou bloqueio de mais de R$ 4 milhões de quatro investigados.

As investigações apontaram que há indícios de que o então diretor do programa associou-se a duas pessoas para desviar os valores públicos aos familiares e entes próximos dos integrantes da associação criminosa. Empresas que atuam no ramo de materiais de construção e uma associação beneficente também estariam envolvidas.

Segundo a polícia, os suspeitos podem responder por associação criminosa, peculato, inserção de dados falsos em sistemas de informação e lavagem de dinheiro, cujas penas variam de 2 a 12 anos.

A Câmara de Contagem confirma a operação no gabinete de um vereador e informou que irá se manifestar sobre o caso em breve. 

A Prefeitura de Contagem afirmou que a operação somente foi possível em razão de a Controladoria Geral do Município ter detectado anteriormente os indícios de desvios de recursos do programa Bolsa Moradia com pagamento indevido do benefício pela Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano e Habitação.

"Cabe ressaltar que a administração municipal colabora com os órgãos externos de investigação e tem total interesse na elucidação das acusações que pesam contra um ex-servidor municipal, exonerado em 5 de maio de 2020, que era o responsável pelo pagamento do Bolsa Moradia, e contra outras pessoas supostamente envolvidas", afirmou a prefeitura 

Em agosto, a prefeitura já havia anunciado para a imprensa que havia levado para o Ministério Público a denúncia de que havia detectado desvio de verbas no emprego dos recursos do programa Bolsa Moradia. "A Prefeitura de Contagem reafirma que está empenhada no esclarecimento dos fatos e à disposição de todos os órgãos públicos envolvidos na auditoria", disse a administração municipal por meio de nota.