Policiais civis fazem nesta terça-feira (18) uma operação para cumprir mandados de prisão e de busca e apreensão contra suspeitos de envolvimento com o jogo Baleia Azul. Os mandados expedidos pela Justiça estão sendo cumpridos em 20 municípios de nove estados brasileiros, entre eles Minas Gerais.

A operação, chamada Aquarius, está sendo coordenada pela Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática da Polícia Civil fluminense.

Até o momento, uma rapaz de 23 anos foi preso na favela Nova Era, em Nova Iguaçu, no Rio de Janeiro. Conforme os investigadores, ele teria confessado ser um dos "curadores" do jogo. Um adolescente de 16 anos, que também induziria os participantes do jogo mortal a cometer suicídio, também foi apreendido em Pitangueiras, no interior de São Paulo.

Além de Minas, computadores e celulares foram apreendidos em Amazonas, Pará, Paraíba, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo e Sergipe.

O jogo Baleia Azul é praticado em comunidades fechadas de redes sociais como Facebook e Whatsapp e instiga os participantes, em maioria adolescentes, a cumprirem 50 tarefas, sendo que a última delas é o suicídio.

Investigação em Minas

Em Minas, a Polícia Civil descartou a relação entre as mortes supostamente ligadas ao jogo Baleia Azul e a figura do "curador", que induziria as vítimas ao autoextermínio. No Estado, a Polícia Civil investigou quatro casos suspeitos, após o relato das famílias de que os jovens estariam participando do jogo, sendo dois suícidios, uma tentativa e uma lesão corporal. Três inquéritos já foram concluídos e a figura do suposto curador, que ordenaria a morte por meio de grupos fechados nas redes sociais, foi descartada. Apenas um caso registrado em Pará de Minas, na região Central do Estado, aguarda a conclusão do inquérito. Porém, perícia preliminar realizada no celular da vítima mostrou que o rapaz não estava sendo ameaçado ou coagido.

Em Vila Rica, cidade a 1.276 quilômetros de Cuiabá (MT), a Polícia Civil garantiu que uma adolescente tirou a própria vida incentivada por um "curador", que aliciou e incentivou a jovem a se matar. O responsável já foi identificado e está sendo procurado.

O jogo

O jogo mortal ganhou popularidade em 2017 e chamou a atenção no mundo todo. Disputado pelas redes sociais, propõe desafios macabros aos adolescentes, como bater fotos assistindo a filmes de terror, automutilar-se, e, na etapa final, cometer suicídio. Um grupo oriundo da Rússia está sendo investigado devido à suspeita de que, com o jogo, já teria induzido mais de 130 jovens, predominantemente na Europa, a cometer suicídio desde 2015.

Punição

Induzir, instigar ou auxiliar suicídio é crime, punido no Brasil com reclusão (prisão) de dois a seis anos se a morte se consumar, ou de um a três anos, se da tentativa resultar lesão corporal grave.

A pena pode ser duplicada se o crime for praticado por "motivo egoístico" ou se a vítima for menor de idade ou se tiver a capacidade de resistência diminuída, por qualquer motivo.

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