A Polícia Federal cumpre, nesta quinta-feira (20), mandados de busca e apreensão na casa da mãe do senador e deputado federal eleito por Minas Gerais Aécio Neves (PSDB). Inês Maria Tolentino Neves mora na rua Pium-i, no bairro Sion, na região Centro-Sul de Belo Horizonte, onde os agentes realizam buscas. 

Os agentes também cumprem ordens judiciais na casa de Frederico Pacheco de Medeiros, primo de Aécio Neves, na rua Patagônia, também no mesmo bairro. Frederico apareceu em vídeos recebendo uma mala de dinheiro, que seria de um suposto pagamento por parte da JBS, no ano passado. 

Os trabalhos fazem parte da operação Ross, desdobramento da "Lava Jato", deflagrada no dia 11 de dezembro. Na ocasião, o apartamento de Aécio e da irmã dele, Andréa Neves, foram alvos da Polícia Federal. Os mandados de busca e apreensão foram autorizados pelo ministro Marco Aurélio, relator da operação Ross no Supremo Tribunal Federal (STF).

Segundo a denúncia, Aécio, que é investigado em outros nove inquéritos no STF, liderou uma suposta organização criminosa para tentar vencer as eleições de 2014 e teria recebido ao menos R$ 110 milhões em propina do grupo J&F, do empresário Joesley Batista.

De acordo com o Ministério Público Federal (MPF), em troca dos recursos financeiros, Aécio teria prometido favorecimento em um eventual governo presidencial (2015 a 2018), além de influência junto ao governo de Minas Gerais com o objetivo de viabilizar a restituição de créditos tributários.

Na análise da procuradora-geral da República, Raquel Dodge, juntada ao inquérito da PF, ficou “evidenciada relação espúria e duradoura entre Aécio Neves e executivos de um dos maiores grupos empresariais brasileiros, que, confessadamente, praticaram múltiplos atos de corrupção em todas as escalas do poder”.  

A PF batizou a operação de Ross numa referência a um explorador britânico que dá nome à maior plataforma de gelo do mundo localizada na Antártida, fazendo alusão às notas fiscais frias que estão sob investigação. A Polícia Federal não detalhou a operação ainda, pois os trabalhos estão em andamento.

Defesa

A defesa do senador Aécio Neves (PSDB-MG) disse nesta quinta-feira (20) que recebeu com “surpresa e indignação” a notícia de busca na residência da mãe do senador, Inês Maria Neves Cunha, “seja pela completa desnecessidade e descabimento da medida, seja pela total desvinculação de sua mãe com os fatos apurados”.

Em nota à imprensa, o advogado Alberto Toron disse que a busca teria sido motivada por uma “denúncia anônima” de que o imóvel teria recebido caixas com documentos no dia da Operação Ross e que esse relato é mentiroso.

“É lamentável que a intimidade de uma senhora seja afrontada dessa forma, sem que haja nada que justifique”, protestou Toron.

Toron ressaltou que Aécio Neves sempre esteve à disposição de todas as autoridades e que o senador é o maior interessado na elucidação dos fatos. Disse ainda que o político aguarda a finalização célere das investigações para que fiquem provadas que as acusações são falsas.

Diplomação

Na quarta-feira (19), Aécio Neves faltou à cerimônia de diplomação dos deputados estaduais, federais, senadores e do governador eleito Romeu Zema (Novo). A solenidade ocorreu no Grande Teatro do Palácio das Artes. Procurada, a assessoria de imprensa de Aécio não informou o motivo pelo qual o deputado eleito com mais de 116 mil votos em outubro não compareceu à cerimônia. 

A reportagem do Hoje em Dia entrou em contato com a Polícia Federal para saber o balanço da operação e aguarda retorno.

Confira a nota enviada pela defesa de Aécio Neves:

"Recebemos com absoluta indignação a notícia de busca na residência da mãe do senador Aécio Neves, uma vez que ela nada tem a ver com os fatos em apuração.

Desnecessária e descabida, a busca foi realizada a partir de uma denúncia anônima. Nada foi encontrado e nenhum documento apreendido.

Bastava que se consultasse o sistema de imagens do prédio para se comprovar a falsidade da denúncia e se evitar violência e afronta à privacidade de uma cidadã brasileira.

A empresa Albatroz mencionada ficou inativa por sete anos até ser extinta seis anos atrás, sendo, portanto, incompreensível o pedido de busca numa empresa que as autoridades sabem não existir. O mesmo endereço já havia sido alvo de busca e apreensão em 2017 e nada de irregular foi encontrado.

Reiteramos, como já feito em diversas oportunidades, que o senador Aécio sempre esteve à disposição de todas as autoridades, sendo ele o maior interessado na elucidação dos fatos.

Por fim, aguardamos a finalização célere das investigações para que fiquem provadas, de uma vez por todas, as falsas e convenientes acusações feitas por delatores, criminosos confessos, que ensejam esse inquérito.

Alberto Zacharias Toron - Advogado"

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