Uma megaoperação realizada pela Polícia Civil identificou ao menos 10 'curadores' - figura que induz pessoas ao autoextermínio - do jogo mortal Baleia Azul em todo o Brasil. Um rapaz de 23 anos, que teria confessado que ordenava crianças e adolescnetes a se matar, foi preso na favela Nova Era, em Nova Iguaçu, no Rio de Janeiro.

Segundo as investigações, ele e todos os demais suspeitos agiam da mesma forma: criavam perfis falsos nas redes sociais para atrair, influenciar e depois ameaçar as vítimas. O número de 'curadores' identificados, segundo a polícia, só não foi maior porque ao Facebook e o Google, além de outras redes sociais, não colaboraram com as autoridades

"Todas as medidas legais estão sendo tomadas pelo não cumprimento de determinações judiciais, inclusive com multas aplicadas pela Procuradoria do Estado", informou a polícia fluminense por meio de nota.

Por meio de nota, o Facebook rebateu a declaração da delegada e garantiu que está contribuindo com as investigações. “Não permitimos conteúdo na plataforma que promova ou incentive suicídio ou auto-mutilação, e colaboramos com as autoridades em casos que envolvam ameaças diretas à segurança física das pessoas”, informou a empresa.

Força-tarefa

A ação, batizada de Aquarius, foi deflagrada pela Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática (DRCI) da Polícia Civil do Rio de Janeiro e ocorreu em Minas Gerais e em outros oito estados. Nos 20 municípios alvos dos agentes de segurança, foram apreendidos celulares e computadores. O material em Minas não foi detalhado.

Em terras mineiras não há registro de mortes relacionados ao jogo. Porém, ao menos um óbito foi confirmado em Vila Rica, cidade a 1.276 quilômetros de Cuiabá (MT). Lá, uma adolescente de 16 anos tirou a própria vida incentivada por um "curador". O responsável já foi identificado e está sendo procurado.

No total, a operação cumpriu cumpridos 24 mandados de busca e apreensão em Minas, Rio, além de Amazonas, Pará, Paraíba, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo e Sergipe.

O jogo Baleia Azul é praticado em comunidades fechadas de redes sociais como Facebook e Whatsapp e instiga os participantes, em maioria adolescentes, a cumprirem 50 tarefas, sendo que a última delas é o suicídio.

Investigação

Segundo a delegada Fernanda Fernandes, a Justiça determinou mandado de prisão temporária contra o suspeito detido em Nova Iguaçu. "Ele já confessou que era curador, que tinha influenciado 30 vítimas. Mas temos nos autos cerca de 40 vítimas", afirmou.

Quinze vítimas foram identificadas pelos investigadores, mas nenhuma chegou a procurar a polícia para registrar ocorrência.

Jogo em Minas

Em Minas, a Polícia Civil descartou a relação entre as mortes supostamente ligadas ao jogo Baleia Azul e a figura do "curador", que induziria as vítimas ao autoextermínio. No Estado, a Polícia Civil investigou quatro casos suspeitos, após o relato das famílias de que os jovens estariam participando do jogo, sendo dois suícidios, uma tentativa e uma lesão corporal. 

Três inquéritos já foram concluídos e a figura do suposto curador, que ordenaria a morte por meio de grupos fechados nas redes sociais, foi descartada. Apenas um caso registrado em Pará de Minas, na região Central do Estado, aguarda a conclusão do inquérito. Porém, perícia preliminar realizada no celular da vítima mostrou que o rapaz não estava sendo ameaçado ou coagido.

O jogo mortal ganhou popularidade em 2017 e chamou a atenção no mundo todo. Disputado pelas redes sociais, propõe desafios macabros aos adolescentes, como bater fotos assistindo a filmes de terror, automutilar-se, e, na etapa final, cometer suicídio. Um grupo oriundo da Rússia está sendo investigado devido à suspeita de que, com o jogo, já teria induzido mais de 130 jovens, predominantemente na Europa, a cometer suicídio desde 2015.

Punição

Induzir, instigar ou auxiliar suicídio é crime, punido no Brasil com reclusão (prisão) de dois a seis anos se a morte se consumar, ou de um a três anos, se da tentativa resultar lesão corporal grave. A pena pode ser duplicada se o crime for praticado por "motivo egoístico" ou se a vítima for menor de idade ou se tiver a capacidade de resistência diminuída, por qualquer motivo.

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