Um grupo de indígenas que protestava contra a mudança no processo de demarcação de terras cercou nesta quinta-feira (18) o Palácio do Planalto. Com poucos seguranças na casa, já que a presidente Dilma Rousseff estava no Palácio da Alvorada e em seguida embarcou para Lima, no Peru, os índios pegaram os servidores desprevenidos e conseguiram não apenas cruzar a rua em frente ao Planalto, mas também atravessar o espelho d'água.

O grupo, de cerca de 200 indígenas, deu as mãos e cercou o palácio, chamando pela presidente com gritos de "Queremos Dilma" e "Dilma Assassina". Com paus e lanças típicas de madeira, os indígenas tentaram antes subir a rampa, mas foram impedidos. Os índios chegaram a cercar um policial militar que fazia a segurança do Planalto, que precisou ser resgatado por um colega.

O coordenador das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira, Marcos Apurinã, disse que "Dilma é assassina porque está provocando o genocídio, violentando a Constituição Federal e matando os nossos filhos ao construir hidrelétricas e usinas pelo País".

"Índio sem terra não tem vida", declarou ele ao anunciar "pajelança para ver se ela tem coração e revoga a PEC 215, as portarias 313 e 038 e o Projeto de Lei da Mineração". "Não aceitamos e não vamos aceitar mais esse genocídio."

Marcus Apurinã avisou que não aceitam mais serem recebidos por ministros e assessores de Dilma "que não fazem nada". "Estamos cansados de ser recebidos por ministros", disse ele depois de dizer que ficou sabendo que ela não está presente no local, porque embarcou para Lima. Segundo ele, ela tem obrigação de recebê-los.

O grupo é o mesmo que, na última terça-feira, 16, invadiu o plenário da Câmara dos Deputados em protesto contra a PEC 215, que transfere do Poder Executivo para o Congresso Nacional a decisão final sobre a demarcação de terras indígenas no Brasil. Momentos antes, eles fizeram uma manifestação na Praça dos Três Poderes. No final da tarde desta quinta-feira, o grupo se concentrou em frente à porta principal do Planalto.