A Assembleia de Minas fará, na manhã desta quarta-feira (29), reunião remota do Plenário para debater o programa "Minas Consciente", com participação do secretário de Estado da Saúde, Carlos Eduardo Amaral Pereira da Silva, e de Cristina Alvim, professora da Faculdade de Medicina da UFMG e coordenadora do Comitê da universidade de enfrentamento do novo coronavirus.

Lançado nesta semana pelo governo estadual, o "Minas Consciente" consiste em um conjunto de protocolos de segurança recomendado a prefeituras, empresários e consumidores de cidades mineiras para que possam retomar as atividades econômicas, em meio à pandemia da Covid-19. 

Para o deputado André Quintão (PT), líder do bloco Democracia e Luta, de oposição ao governo, e um dos autores do requerimento para a reunião, a intenção é "aprofundar debate sobre esses protocolos, que não foram discutidos com o Legislativo nem com outros setores".

"Em uma leitura preliminar, percebemos uma base de informação questionável no documento. Afinal, se a gente tem no Estado quase 80 mil casos suspeitos da Covid-19, sem testagem, e um número também impreciso de mortes sem confirmação, como teríamos uma análise estatisticamente confiável do ponto de vista regional, que seria a base para que prefeituras começassem a relaxar as restrições a algumas atividades econômicas?", questiona o parlamentar.

Quintão ressaltou ainda que, antes de fazer recomendações para a retomada do comércio em dezenas de municípios mineiros, baseando-se, inclusive, em números que mostrariam ampla capacidade do Estado para absorver novos doentes, o governo deveria se preocupar com medidas de precaução e prevenção contra a pandemia - cujo "pico ainda não chegou". 

"Talvez, essa iniciativa do Estado, neste momento, induza a uma flexibilização indevida, o que pode significar a necessidade de um recuo", disse, lembrando casos como o de Milão, na Itália, cujo prefeito relaxou as restrições à circulação de pessoas e em seguida arrependeu-se, após explosão do número de casos e mortes pela Covid-19.

Colchão de segurança

Na manhã desta terça-feira (28), ao anunciar o "Minas Consciente",  o governador Romeu Zema disse que o Estado possui um “colchão de segurança” para que possa haver o planejamento de reativação da economia: o sistema de saúde. Neste momento, segundo Zema, 4% dos leitos de terapia intensiva estão ocupados com pacientes diagnosticados com Covid-19. A ocupação geral é 58%. Minas tem 71 óbitos confirmados pela doença, o quarto menor índice no país em mortes a cada 100 mil habitantes.

“Podemos ter a reativação segura, mas não é volta à normalidade, é volta a uma nova normalidade. Teremos que seguir protocolos de segurança por meses porque o vírus está entre nós e é necessária uma mudança de vida a qual temos que ir nos acostumando”, afirmou o governador.