Em 2010, exatamente neste mesmo período do ano, Ciro Gomes (PSB-CE) era pré-candidato à presidência da República, disposto a enfrentar Dilma Rousseff (PT), indicada pelo então presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Na ocasião, os líderes petistas recorreram ao presidente nacional do PSB, Eduardo Campos, para selar uma aliança que sepultou a candidatura do ex-governador do Ceará. Com papéis invertidos, a cena parece estar se repetindo agora.

No fim de semana, Ciro soltou o verbo em uma rádio de Pernambuco. Afirmou que Campos e os outros adversários da presidente não têm “propostas para o país”. Externou posição dele e de seu irmão, Cid Gomes, governador do Ceará. Agora são eles que querem sepultar o sonho de Eduardo Campos.

Na última segunda-feira (25), o pré-candidato do PSB evitou polemizar, mas já estava claro que o racha entre as principais lideranças da legenda segue existindo.

“ O partido é democrático e as pessoas têm o direito de se manifestar, de fazer o debate. Mas sobre o que o partido deve fazer e deixar de fazer, deve ser travado no tempo certo e na instância certa, que é quem decide”, destacou.


Alerta

Campos, que já vinha condenando as discussões entre PSDB e PT, pedindo para que se acabe com “velhas rinhas políticas”, voltou a insistir no mesmo ponto, só que agora se dirigindo para dentro do próprio partido.

“Sinceramente, o PSB não está pensando nisso. É hora de juntar o Brasil”.

Se Campos evitou o embate mais direto, coube ao vice-presidente da legenda, Roberto Amaral, defender o pré-candidato. Através de nota, ele disse “lamentar profundamente a opinião desinformada sobre a visão de Eduardo Campos, seja sobre a crise econômica, que tanto tem denunciado, seja relativamente à sua visão de Brasil, que não é só dele, mas do partido”.

“Além de conhecer nossa realidade e formular suas análises, Eduardo Campos sintetiza o pensamento acumulado pelo PSB, que, desde 1985, data de sua reorganização, vem estudando o país e formulando programas de governo”, diz ele, ao lembrar que “pelo menos teoricamente”, Ciro Gomes, que integra a direção nacional do partido, deve conhecer os documentos do partido.

Ciro fez a afirmação em entrevista à emissora de rádio cearense Verdes Mares, quando estendeu as críticas de falta de visão e de projeto para o país ao senador tucano Aécio Neves e à senadora Marina Silva – que não foram contestadas por Amaral.