A primeira audiência da empresa pública PBH Ativos S.A. na Câmara Municipal de Belo Horizonte, desde que a mesma foi criada pela prefeitura, em 2010, provocou um embate entre a sociedade anônima e associações de  moradores nesta terça-feira. Entre eles, os dos bairros São Bento e São Gabriel, além de vereadores da oposição, que fizeram duras críticas à “falta de transparência e participação popular” na PBH Ativos. Um dos membros da PBH Ativos chegou a dizer que os moradores “enquanto sociedade, deveriam ler o diário oficial” para se informar. 
 
Apesar de a reunião ter sido convocada para apresentar relatório de sua atividade financeira, conforme o requerimento do vereador Gilson Reis (PCdoB), membro da comissão de Orçamento e Finanças, o presidente da PBH Ativos, Edson Ronaldo Nascimento, se ateve à mostrar o organograma da empresa, a folha salarial e as funções dela junto ao poder público, como auxílio em parcerias público-privadas, como as escolas infantis e o Hospital  Metropolitano. 
A PBH Ativos também é a gestora dos terrenos da cidade já doados à companhia, futuramente a serem vendidos inclusive para viabilizar a operação urbana Nova BH. “Quando se participa de uma audiência pública, você não coloca balanço, o quanto foi debitado de imposto. Eu mostrei o que não deixaria a reunião enfadonha para os moradores”, afirma Edson Nascimento. 
 
Conselho admite que falta transparência
Gilson Reis (PCdoB) questionou o fato de pelo menos dois secretários do prefeito Márcio Lacerda serem acionistas da empresa - Josué Valadão, José Lauro Terror - e o procurador do município, Rúsvel Beltrame.
 
O presidente do Conselho Administrativo da PBH Ativos, Marcelo Piancastelli, disse que segue a lei das sociedades anônimas, em que 20% da empresa deve ser de servidor de carreira. “Pode estar faltando transparência, participação popular, mas nada deixou de ser publicado no diário oficial e de ser informado ao Tribunal de Contas. Não há ilegalidade”. Segundo o presidente Edson Nascimento, apenas em agosto de 2013 ela passou a funcionar de fato, motivo de a prestação não contemplar os três anos anteriores.