Até 2016, pelo menos 500 mil funcionários da administração direta e indireta do governo federal deverão utilizar uma ferramenta de comunicação pela internet, 100% nacional, mais segura que os sistemas desenvolvidos em outros países. A iniciativa é um contra-ataque brasileiro à espionagem internacional.
 
Após a divulgação de que os Estados Unidos estavam espionando o governo brasileiro e até mesmo a presidente Dilma Rousseff (PT), no ano passado, o Serpro colocou como prioridade desenvolver uma ferramenta que crie mais barreiras às tentativas de invasão. “Estamos tratando a segurança no mesmo nível que tratamos passaporte e Imposto de Renda. Tratamos a comunicação como um sistema crítico de governo”, afirmou Melo.
 
O “Expresso” é uma plataforma em software livre e o Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro) desenvolveu a terceira versão, com ajuda da comunidade que estuda e atualiza constantemente o sistema. Por isso, o comunicador é chamado de “Expresso V3”.
 
O mecanismo junta e-mail com sistemas de comunicação por imagens. Com isso, é possível, por exemplo, fazer uma videoconferência ou uma vídeo-chamada entre usuários do Expresso V3, com um nível de segurança muito bom, aponta o coordenador de Ações Governamentais do Serpro, Marcos Melo.
 
Apesar de todo o trabalho para tentar blindar as contas do governo brasileiro, Melo reconhece que não é impossível invadir o sistema. “Nenhuma ferramenta é 100% segura. O que você precisa é ter todo um contexto de segurança para proteger esse software e garantir uma camada de segurança. É como gato e rato”, explicou Melo. Ele mantém no Serpro uma equipe que trabalha constantemente para impedir as diárias tentativas de invasões de hackers.
 
O coordenador do Serpro explica que o fato do software ser livre não coloca em risco a segurança dos usuários, mas os protege ainda mais. “Não pode-se confundir o código com a informação. Os dados são completamente protegidos, criptografados, com segurança física (no centro de dados em Brasília, com câmeras e vigias). Há ainda seguranças lógicas (tratamento das informações) e segurança da informação (criptografia, para que somente quem mandou e quem recebeu tenha acesso ao e-mail)”, explicou.
 
Melo afirma que o “Expresso V3” é muito mais seguro do que os comunicadores hospedados fora do país, como as contas do Google e da Microsoft. “O problema de contratar essa nuvens externas é que você está submetido a legislações estrangeiras. Nos Estados Unidos, por exemplo, o governo pode solicitar as informações a qualquer momento. Não dá para confiar numa nuvem dessa. O diferencial do Brasil é enxergar realmente que não é uma tarefa fácil e também que esse tipo de informação é essencial para o governo”, enfatizou.
 
Com forte viés de software livre, o Expresso começou a ser pensado em 2003, na Companhia de Tecnologia da Informação e Comunicação do Paraná – CELEPAR, uma empresa pública de processamento de dados do Paraná.