A crise financeira enfrentada pelos municípios mineiros não impedirá a Câmara Municipal de São José da Lapa, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, de conceder um “bônus” salarial para os servidores públicos no fim deste ano.

Se depender da Mesa Diretora, quase R$ 70 mil que não foram gastos pelo Legislativo ao longo de 2015 serão repassados, em parcela única de R$ 2,4 mil, para os funcionários como forma de agradecimento pelo “bom desempenho” dos profissionais.

A exemplo do que já acontece há dois anos, o presidente da Casa, Thales Júnior da Conceição (DEM), junto com os outros vereadores que compõem a Mesa, decidiram enviar um projeto de lei com duração anual que autoriza o repasse aos servidores. O texto terá que passar pelo crivo de três comissões antes de ser votado.

O vereador Valdeir de Souza Soares (Rede), relator da matéria na Comissão de Finanças, afirma que é contrário ao projeto, assim como nos anos anteriores, quando acabou vencido.

“O recurso é público, vem do bolso do contribuinte, por isso deveria ser devolvido ao Executivo para que possa ser aplicado em outras demandas do município, que são muitas”, disse. Segundo ele, o projeto deverá entrar na pauta de votação na próxima semana devido a “manobras” de vereadores. “Infelizmente, falta consciência do Legislativo com a coletividade”, completou.

JUSTIFICATIVA

Por meio da assessoria de imprensa, a Câmara Municipal de São José da Lapa argumentou que a bonificação não irá contemplar os vereadores, somente os 29 servidores públicos que não possuem cargos eletivos. A verba é calculada a partir da arrecadação de 2014, “quando o município não passava por crise financeira”.A reportagem procurou o presidente da Casa, Thales Júnior da Conceição, mas foi informada de que apenas a assessoria da Câmara prestaria esclarecimentos sobre o assunto.

Ainda conforme a assessoria, a Câmara devolverá aos cofres municipais R$ 97 mil da verba indenizatória dos vereadores, como já fez em legislaturas anteriores. “Normalmente, a prefeitura doa os valores da verba indenizatória para uma instituição de caridade. Os R$ 70 mil não vão onerar ou atrapalhar as contas do Executivo”.